| O autor |
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Meu nome é Hindemburg. A maneira como ingressei no mundo dos investimentos é bastante atípica, e creio que uma das mais corretas. Resumidamente, a maioria das pessoas entra neste campo porque todos querem ganhar dinheiro. Eu entrei porque percebi que muitas das ferramentas estatísticas que eu dominava poderiam ser usadas com sucesso para modelar o comportamento dos preços. Ganhar dinheiro não era exatamente o objetivo, mas sim uma conseqüência; uma conseqüência apreciável, sem dúvida. Depois de ingressar no mundo dos negócios, descobri que além das ferramentas estatísticas e da vocação para lidar com Matemática e Lógica, meu histórico de atuações no Xadrez, com puzzles e outras atividades também seriam muito úteis para me ajudar a formular estratégias consistentes, reconhecer padrões sutis que se repetem e testar com rigor a eficiência de meus métodos. Aptidões que eu havia cultivado com prazer por mais de 20 anos e competências que havia desenvolvido com outras finalidades, serviriam excepcionalmente bem para me proporcionar uma bagagem superior a que a maioria dos profissionais do Mercado tentavam adquirir e desenvolver exclusivamente para uso no próprio Mercado. Percebi que eu levava muitas vantagens importantes em comparação a outros traders, e senti um imenso prazer ao lidar com os desafios que envolvem a modelagem do Mercado, então decidi que esta seria a atividade à qual devotaria minha vida. Sempre fui uma pessoa preocupada com Ética e Lógica, que são os dois pilares que determinam grande parte de minha personalidade e minha conduta. Meus interesses mudam bastante com o passar do tempo e atualmente envolvem os seguintes assuntos: Existência, Vida, Saúde, Educação, Problemas Sociais e Atividades Assistenciais, Sistemas Automáticos para Investimentos em Forex, Nasdaq, Nyse, Nikkei, Chx, Bovespa e BM&F, Teoria da Medida, Observação Astronômica, Astrofotografia, Artes Marciais, Dança, Dialética e Oratória, Psicometria, Cognição e Epistemologia, Heurística, Mente, Business Intelligence, Teoria da Informação e Gestão do Conhecimento, Estatística, Sistemas Automatizados para Processos Decisórios Complexos, Filmagem e edição de vídeos, Chocolate, Puzzles e Quizzes, Xadrez, Astronomia, Astrofísica e Cosmologia, Literatura, Música, Filosofia, Psicologia, Física, Matemática, Natação, Ciclismo, Mágica e Ilusionismo. O Xadrez é um campo em que tive a oportunidade de conhecer pessoas muito interessantes, pessoas de excelente caráter, com as quais fiz amizades que duram mais da metade da minha vida. O Xadrez também me ajudou a ter uma idéia sobre meus pontos fortes e fracos, bem como meu nível de desempenho em atividades que exigem diferentes conjuntos de faculdades mentais. Em Xadrez às cegas, por exemplo, tive a felicidade de bater um recorde mundial de mate anunciado mais longo, evento que foi registrado no Guinness Book of Records , páginas 110-111 da edição de 1998. Os amigos e familiares que me acompanharam durante essa conquista tiveram um papel muito importante, sempre me incentivando e muitas vezes deixando de lado seus compromissos pessoais para dedicar tempo ao meu projeto. Entre minhas outras atividades ligadas ao Xadrez, posso destacar meus trabalhos de análise, alguns dos quais receberam distinções com alguma importância, como um TOP-10 do mundo , em avaliação feita pelos 10 Grandes Mestres que constituem o júri do Sahovski Informator (principal periódico internacional sobre Xadrez), sendo o campeão mundial um dos jurados. Também tive trabalhos distinguidos como TOP-19 e TOP-26 do mundo. Tive a honra de ser o primeiro brasileiro a alcançar um TOP-10, aliás, na mesma ocasião, o vice-campeão mundial sub-10 Giovanni Portilho Vescovi, maior rating FIDE brasileiro de todos os tempos (2648), teve uma novidade TOP-15. Isso foi em 2000. Alguns meses depois, fui sobrepujado pelo talentoso Névio João, segundo maior rating ICCF do Brasil de todos os tempos (2617), que conquistou um TOP-5. Meus resultados como analista e competidor na ICCF levaram alguns amigos, e até mesmo algumas pessoas que eu não conhecia, a acreditar que eu sei alguma coisa desse esporte, razão pela qual recebi alguns convites e algumas indicações muito lisonjeiros, entre os quais posso destacar estes: Em 2004, fui indicado pelo Grande Mestre Internacional ICCF Salvador Homce De Cresce para representar o Brasil na Olimpíada de Xadrez da ICCF. Em 2002, fui convidado por Marius Ceteras – Capitão da "Equipe Potaissa Turda", da Romênia –, para jogar no primeiro tabuleiro do time, representando a Romênia na “ European League of the Champions - 2002 ”. Nessa época, eu já me encontrava afastado das competições, por isso me senti na obrigação de declinar os dois convites, já que não teria condições de oferecer um desempenho que honrasse a confiança que depositaram em mim. Em torneios da ICCF, tive a felicidade de sagrar-me campeão invicto nos dois primeiros eventos internacionais de que participei, aliás, acho que sou o único brasileiro que se conserva invicto em torneios da ICCF, não porque eu seja um forte jogador, mas porque parei de jogar logo depois desses dois eventos. Meu desempenho nesses certames me qualificou para disputar a semi-final do campeonato mundial da ICCF, mas isso foi em 2000, e abandonei o Xadrez logo em seguida, sem chegar a participar do mundial. Fora o Xadrez, nunca fui um aluno dedicado. Só lia sobre assuntos que me interessavam e só participava das atividades escolares na medida necessária para não ser reprovado. Uma conduta que hoje percebo como imatura, mas naquela época eu julgava que era correta, por explicitar minha aversão à metodologia adotada pelo sistema educacional, um sistema que prioriza memorizar e reproduzir mecanicamente informações irrelevantes, em vez de exercitar o discernimento, o pensamento crítico e criador. Minha formação é predominantemente autodidata e com muitas deficiências, mesmo assim consigo usar esse pouco conhecimento para alcançar alguns resultados interessantes. Sou autor de alguns trabalhos inovadores em diferentes campos, e alguns destes trabalhos estão disponíveis no web site de Sigma Society (veja na seleção de artigos ), alguns foram premiados pelo IBECC, pela SBPC, pelo ETAPA, pela revista TRIP e por outras entidades razoavelmente conhecidas, mas nada comparável ao meu desempenho no Xadrez às cegas (TOP-1 histórico em mate anunciado mais longo) ou como analista de Xadrez (TOP-10 mundial, TOP-19 mundial e TOP-26 mundial), pelo menos não até 2007, ano em que iniciei uma pequena série de recordes em investimentos. Deixei de participar de competições de Xadrez em março de 2000, porque nunca cheguei a ser um competidor tão bom quanto gostaria de ser, porque o Xadrez não me proporcionou uma recompensa monetária que justificasse o tempo que eu dedicava ao assunto, porque na época eu havia me estressado com acumulo de trabalho (cursos, aulas particulares, simultâneas, comércio de material enxadrístico, análise de boletins, competições etc.) e por motivos que não sei dizer exatamente quais foram, mas no conjunto decidi que deveria me afastar, e estou satisfeito com essa decisão. No primeiro momento, foi como se tivesse removido uma montanha de sobre os ombros, mas poucos meses depois houve um intenso sentimento de perda e uma avassaladora vontade de voltar a jogar. Mas consegui resistir à tentação. Entre 2002 e 2004, minha única atividade enxadrística foi ministrar aulas particulares ao presidente do grupo Catho, Dr. Thomas Case, no intervalo do almoço, das 12:00h às 14:00h (ele preferia aproveitar esse ínterim para alimentar a mente e a alma). Desde 2004 praticamente não tive mais contato com Xadrez, exceto uma palestra na Secretaria da Educação de minha cidade, alguns jogos amistosos com o pessoal da cidade, um match por e-mail com o GM Alexandr Fier e alguns jogos amistosos com um professor da Unicamp que contratamos para desenvolver nossa plataforma para otimizações. Durante meu período de afastamento, em 2004, o amigo David Udbjørg me lisonjeou com um convite para ser tutor do campeão búlgaro sub-14 Ivailo Enchev. Eu não sabia se estava capacitado, mas aceitei, talvez por vaidade, mas não chegamos a começar o treinamento, e talvez não comece, pois considerando meu afastamento (e talvez mesmo que não estivesse afastado), provavelmente eu teria mais a aprender com ele do que a ensinar. Até 2005 também estive trabalhando com criação e padronização de testes de inteligência, de personalidade e de aptidões específicas na Casa do Psicólogo. Foi uma atividade muito divertida e gratificante, na qual aprendi muita coisa interessante, com destaque para uma ferramenta estatística pouco difundida no Brasil, chamada “Teoria de Resposta ao Item” (TRI). Meu primeiro contato com TRI foi em setembro de 2003, no grupo L'Etranger , da Prometheus Society, numa conversa com nosso amigo Fred Vaughan, Presidente do Comitê Psicométrico da Prometheus, Ph.D. em Psicologia Experimental e trabalha há mais de 40 anos com testes. Ele me falou sobre seus trabalhos de análise de item do Mega Test, mas só comecei a conhecer um pouco melhor o assunto pelo livro de Frank Baker “The Basics of Item Response Theory” e pelo livro “Psicometria” de Luiz Pasquali. Creio que os livros poderiam ter sido escritos com um pouco mais de cuidado técnico e rigor científico, apesar disso, servem bem para proporcionar um primeiro contato com o tema e despertar o interesse pelo estudo da TRI. Por outro lado, estou achando a TRI propriamente dita muito mais interessante do que eu havia julgado no primeiro momento (em comparação a quando Vaughan me falou sobre o assunto). Em meu artigo sobre “ Pontos fracos no vestibular da Fuvest ”, exponho brevemente minha opinião sobre esses livros e sobre a TRI. Também abordo essa questão no "resumo histórico sobre testes " e " nova norma do Sigma Test ". Após alguns meses de estudo dessa ferramenta, propus cerca de uma dezena de aprimoramentos e inovações, a maioria dos quais foram implementados nas normas de 2005 e 2006 do Sigma Test. Outro lugar em que tenho conhecido várias pessoas fascinantes é Sigma Society, pessoas de diversas culturas, de diversas partes do mundo, com as quais tenho aprendido muito e ao mesmo tempo exercitado a língua inglesa. Continuo arrastando com dificuldade esse idioma, porém bem menos dificuldade do que tinha antes de Sigma existir. Em Sigma, conheci pessoas notáveis em altruísmo e em bom-caráter, que desenvolvem ou já desenvolveram trabalhos assistenciais ao longo de vários anos, contribuindo para melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas na África, na Ásia e nas Américas. Também conheci pessoas brilhantes, que possuem muitas distinções de altíssimo nível em atividades intelectuais, esportivas e artísticas, e conheci um bando de malucos vaidosos, prepotentes e egocêntricos, como eu, com os quais é sempre agradável conversar sobre assuntos úteis ou inúteis. Em 2007 bati meu primeiro recorde mundial em investimentos, com 79 operações (manuais) em ouro, 91% das quais resultaram em lucro e o ganho final foi +1041% em 4 dias. Ainda em 2007 bati outro recorde mundial, com maior performance mensal de um sistema automático: 4740% em 26 dias, e em 2008 mais um recorde mundial: 1609% em 3 dias com sistema automático . Existem algumas limitações nos brokers, quanto ao número de lotes negociados, que impedem de atingir performances muito maiores do que estas. Para o tipo de estratégia utilizada, é possível que estes recordes estejam perto do teto teórico que pode ser alcançado, embora com outras estratégias seja possível obter ganhos sensivelmente mais vultosos. Não são estratégias tão boas quanto as utilizadas no Saturno V 3.0 e posteriores, que priorizam a segurança e a estabilidade a longo prazo, em vez de assumir riscos altíssimos para tentar bater recordes, como na versão 2.6 e anteriores. Porém uso da versão 2.6 em várias contas simultâneas conseguiria pulverizar o risco e ainda manter níveis muito elevados de ganho. O que realmente constitui um diferencial notável na versão 3.0 é a versatilidade e universalidade, que permite usá-lo numa grande variedade de brokers e mercados, ao passo que as versões anteriores necessitavam de várias condições específicas para que tivessem plena funcionalidade. Até 2004 meus principais focos de atenção eram Psicometria e Cognição. Nessas duas áreas, sou autor de um modelo de estrutura mental inovador e de novas técnicas para normatização de testes, além de algumas dezenas de aprimoramentos em técnicas usadas em Teoria de Resposta ao Item e Teoria Clássica dos Testes. A partir de 2005, constatei que muitas das ferramentas matemáticas que utilizava em Psicometria, algumas de minha própria autoria, poderiam ser usadas para prognósticos de corridas de cavalos, de loterias esportivas e das cotações no mercado financeiro. Pesquisei sobre dados históricos destes três campos, a fim de verificar a eficiência das tais ferramentas, mas não consegui encontrar bases de dados suficientemente extensas, detalhadas e precisas sobre resultados de corridas de cavalos ou loterias. Geralmente só ficam registradas algumas escassas informações sobre data do evento, vencedor, etc., sem mencionar fatores importantes como temperatura, pressão atmosférica, condições climáticas em geral, velocidade média, idade do animal etc., e nos casos de times de futebol, as informações eram ainda mais pobres, sem informar os integrantes do time em simultaneidade com a performance do time enquanto composto por aqueles integrantes. Em contraste a isso, no Mercado Financeiro deparei com uma fartura extraordinária de informações detalhadas e precisas sobre valores de todas as ações a cada minuto ou até mesmo a cada tick, o que corresponderia a ter as posições de todos os cavalos ou jogadores de futebol a cada instante. Havia dados sobre cotações e volumes, em alguns casos desde 1897, e isso me possibilitava fazer os estudos que desejava. Aliás, os dados eram tão volumosos que chegavam a causar dificuldade para que fossem processados. Depois constatei que além da abundância de informações para atender às minhas necessidades de estudo para formulação de modelos, o Mercado Financeiro também tem muito mais liquidez do que loterias ou corridas de cavalos, possibilitando facilmente movimentar muitos bilhões em poucas horas, enquanto as corridas de cavalos ou loterias levariam semanas para movimentar poucos milhões. Sem contar que loterias devolvem apenas 30% das arrecadações em forma de prêmio, e ainda incide 30% de imposto sobre os ganhos, resultando num retorno médio de apenas 9%, o que exigiria uma estratégia excepcionalmente poderosa para se conseguir ganhos muito pequenos. No Mercado Financeiro o imposto sobre ganho de capital é de apenas 15% (na época era 20%), os spreads costumam ser menores que 0,1% na Bovespa e muito menores no Forex, as taxas de corretagem, liquidação, custódia, emolumentos etc. não chegam a 0,1%, portanto havia muito mais vantagens do que as outras alternativas. Foi assim que decidi que este seria o campo no qual eu entraria de cabeça, pois já estava muito bem munido há vários anos, e só precisava aprender a usar estas ferramentas neste novo cenário. Iniciei na Bovespa em meados de 2005, após ter obtido alguns resultados animadores em simulações no FolhaInvest, posicionando-me acima de 99,98% dos 115.000 participantes. No início de 2006, me pareceu que a Bovespa estava num patamar artificialmente alto e precisava cair. Como a Bovespa é um mercado de baixa liquidez, no qual há muito mais dificuldades e custos para operar short, comecei a pesquisar alternativas e retornei ao Forex. Digo “retornei” porque já tinha conhecimento de que existe, havia tido primeiro contato em 2005, por indicação do amigo Paulo Romero, mas na época não havia me interessado devido a pequenas dificuldades burocráticas para operar no exterior. Bastou começar a me aprofundar no assunto para perceber que o Forex é incomparavelmente superior à Bovespa em praticamente todos os aspectos, e os pequenos detalhes burocráticos que eu havia notado em meu exame preliminar não se comparavam às gigantescas vantagens deste mercado, com liquidez mil vezes maior que a Bovespa e BM&F somadas, taxas dezenas de vezes menores, softwares gratuitos muito superiores aos pagos para Bovespa, simulações muito mais fidedignas, séries históricas gratuitas mais extensas e precisas do que as séries pagas com dados da Bovespa, entre outras vantagens. Comecei a me aprofundar e, por volta de setembro de 2006, descobri os sistemas automáticos do Meta Trader 4, e de um dia para outro todo o meu “castelo de areia” desabou. Percebi que todas as minhas estratégias que se mostravam muito atraentes e aparentemente vitoriosas em períodos de alguns meses e em testes manuais, não passavam de lixo inútil e sem nenhuma possibilidade de sobrevivência em períodos de vários anos. Todas, sem exceção, caminhariam à ruína em cerca de 4 anos ou mais. Mesmo minhas estratégias sendo francamente superiores a tudo que eu havia visto até então, elas nem de longe seriam suficientes para bater o mercado a longo prazo. Percebi que mesmo com ferramentas requintadas, ainda estava muito distante de ter algo funcional a longo prazo, e que se não revisasse todas as minhas crenças, não suportaria mais do que poucos meses ou anos até que minhas ilusões fossem devastadoramente refutadas pela verdade implacável do Mercado. Então recomecei um trabalho de formiguinha, colocando um grãozinho de informação em cima de outro, até tentar produzir algo verdadeiramente útil para enfrentar o Mercado. No primeiro dia que comecei a testar novas estratégias no Meta Trader, logo após constatar que as minhas não funcionavam a longo prazo, em poucas horas eu consegui resultados excepcionais adotando novas idéias que me pareciam coerentes, ainda fortemente ligadas às minhas concepções anteriores. Isso foi nas bases de dados de 1 minuto, mas logo descobri que estas bases eram inúteis e não representavam o que se poderia esperar das operações reais. Bastou que eu fizesse os primeiros testes em tempo real para que ficasse claro que as performances obtidas nas bases de 1 minuto destoavam gravemente do se poderia esperar na situação real, ou da situação mais semelhante à real. Depois de constatar esta limitação na fidedignidade das bases de 1 minuto, foi uma luta para conseguir bases tick-by-tick, e outra luta para desenvolver algo realmente funcional. Em cerca de 3 meses cheguei a ter os primeiros sistemas realmente capazes de durar 3 a 4 anos no mercado. Nessa época eu trabalhava quase 16 horas por dia, 7 dias por semana, e raramente me sentia exaurido. Ao contrário, eu me sentia cada vez mais estimulado, porque quanto mais desafiador se mostrava o problema que eu tentava resolver, mais eu me dedicava a ele para tentar sobrepujá-lo. Estes ainda não eram o ideal, mas eram muito superiores a qualquer coisa que eu havia feito ou visto até então. Passados mais 12 meses, consegui dar mais alguns saltos importantes em qualidade, segurança e eficiência, resultando nos sistemas Melao_Tendencia 1.2, Guinho_2008 e Saturno 1.0. O Saturno era na verdade um aprimoramento do Melao_Scalper enriquecido com alguns detalhes do Melao_Tendencia. A versão 1.0 do Saturno era muito lucrativa, mas tinha um nível de risco que não compensava, e a longo prazo a esperança matemática ficava perto de 0 (nem lucro nem prejuízo), mas a curtíssimo prazo produzia ganhos excepcionais. Isso era excepcionalmente bom, porque a maioria (talvez a totalidade) dos sistemas que adotam mesma gestão de capital vão à ruína a longo prazo, mesmo que se tente colocá-los em várias contas com configurações diferentes, ou seja, os outros quebravam mesmo que o risco fosse pulverizado. Em comparação, o Saturno 1.0 tinha a importante vantagem de, a longo prazo, se o risco fosse pulverizado, ele não ganhava mas também não quebrava. Ainda era inferior ao Melao_Tendencia e Guinho_2008, que produziam lucro, mas a vantagem do Saturno era a suavidade no crescimento (enquanto crescia) e a freqüência de operações. O Melao_Tendencia realizava 200 operações por ano, o Guinho realizava 10 por ano, enquanto o Saturno realizava inicialmente centenas por dia, e as versões 2.5 e 2.6 chegaram a mais de 10.000 operações por dia. Nos casos do Guinho e Melao_Tendencia, podiam ficar meses sem executar nenhuma operação, e o pior, podiam passar mais de 1 ano oscilando antes de começarem a ficar positivos, dependendo do comportamento do mercado. Isso era muito ruim, pois para um programa que seria lançado, se logo no início ficasse meses negativo ou perto de zero, isso seria um péssimo começo. Mas o Saturno, justamente por realizar muitas operações, já começava positivo e crescia a cada dia, até levar o primeiro margin call e arruinar a carteira. Isso era facilmente contornado usando várias carteiras, e como cada uma delas tinha mais de 50% de probabilidade de render 100% antes de quebrar, no conjunto a esperança matemática era positiva, ou seja: se 100 carteiras fossem geridas pelo Saturno, e depois de 15 dias 50 delas estivessem zeradas, então as 50 remanescentes teriam mais de 100% de lucro, portanto com ganhos acima das perdas e tudo se resume a esperança matemática positiva. Com os refinamentos posteriores, ele chegou a produzir performances fantásticas. O único problema foi para passar das contas demonstrativas às contas reais, porque ele precisava de condições muito específicas de spread, para que suas numerosas e curtíssimas operações tivessem êxito. Mas quando se considera os spreads reais de mercado + commissions, era ultrapassado o limite que ele precisava para operar. Ter um sistema que funcionava apenas em contas demonstrativas já representava um avanço importante, já que até então os resultados mais notáveis só haviam sido obtidos nos back tests. A partir da versão 2.1, os avanços subseqüentes foram muito rápidos e cada vez mais animadores, com uma retumbante série de recordes performáticos culminando com a versão 2.6. Tudo maravilhoso, exceto pela dificuldade para se conseguir brokers que oferecessem em contas reais as mesmas condições que ocorriam nos testes de contas demonstrativas, especialmente spreads de 1 pip (já incluindo spread e commission). Sem isso, o sistema não funcionava. O mais próximo que chegamos de solucionar este problema foi uma parceria que faríamos com uma empresa de tecnologia, e colocaria o Meta Trader em comunicação com um grande broker americano, mediante uma interface API ou FIX. Este broker oferecia os spreads do tamanho que necessitávamos, mas não usava nativamente a plataforma Meta Trader, que é necessária para que nosso sistema automático envie ordens numa linguagem que o sistema do broker compreenda e execute as operações. Enfim, parecia que havíamos resolvido o problema, mas felizmente uma série de imprevistos nos levou a uma solução melhor, e acabou levando ao nascimento do Saturno V 3.0. Esta nova versão não é tão lucrativa quanto a 2.6, mas tem uma quantidade muito grande de vantagens mais importantes, a começar por ter menos exigências de condições específicas para funcionamento. Aliás, não requer nenhuma condição especial e funciona em praticamente qualquer broker que utiliza Meta Trader, enquanto a empresa com a qual faríamos a referida parceria continua, suponho, uma porta aberta para negócios futuros. Em meados de 2008, finalmente o Saturno V estava pronto para uso em contas reais. Só faltavam os últimos testes para confirmação, e os testes foram um completo sucesso, sendo que a melhor conta gerou 142% de lucro em pouco mais de 30 dias, operando num nível de risco baixo e com stop curto. Mas isso não significa que se deve esperar performances nestes níveis. Este foi um caso raro, favorecido pelos fortes movimentos de tendência que aconteceram no período dos testes. Em condições normais, os ganhos esperados ficam perto de 3,5% ao mês. Este é um resumo da história do nosso sistema de investimentos Saturno V, e mais detalhes sobre várias etapas e aspectos técnicos podem ser encontrados em nossa seção de artigos.
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