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Diferenças entre o Saturno V e outros sistemas automáticos Versão para impressão Enviar por E-mail
Artigos - Investimentos
Escrito por Melao   
Quarta, 13 Maio 2009 23:34

  

Por sugestão de nosso amigo Wagner de Paula, decidimos escrever este artigo comparando alguns pontos fundamentais que distinguem o Saturno V de milhares de outros sistemas automáticos comercializados a preço de banana e que geralmente funcionam como banana, ou disponíveis para download gratuito porque geralmente não valem nada.

 

As diferenças são muitas e todas são importantes, por isso é difícil selecionar as diferenças mais notáveis. Tentaremos fazer uma lista resumida, só para proporcionar uma idéia, com 10 diferenças bastante relevantes:

 

1) Como a estratégia é formulada.

2) Como a estratégia é testada.

3) Critérios utilizados para definir pontos de entrada.

4) Critérios utilizados para definir pontos de saída.

5) Critérios usados para selecionar os resultados mais promissores em cada otimização.

6) Similaridade entre back tests, contas reais e contas demonstrativas.

7) Qualidade das bases de dados.

8) Propósito com que todo o trabalho é realizado.

9) Histórico de realizações do autor em atividades correlacionadas.

10) Nível cultural, intelectual e analítico dos cotistas que apostam no sistema.

 

 

1) Como a estratégia é formulada.

 

Na esmagadora maioria dos casos, as estratégias são quase “chutadas”, na esperança de que, por sorte, possam produzir resultados positivos após a otimização. Outras vezes são extraídas de livros ou sites e depois escritas em linguagem MQL4, ou são deduzidas com base em critérios extremamente superficiais. Existe uma minoria de sistemas que usam estratégias complexas e elaboradas, como Cyberia e Phoenix, no entanto o autor de Phoenix incorre em erros graves ao realizar seus back tests (otimização em histórico de apenas 6 meses, em bases de minutos etc.), conforme já discutimos em outros artigos, e o Cyberia simplesmente não pode ser otimizado devido à quantidade excessiva de parâmetros. Estes dois sistemas apresentam longevidade muito curta, de alguns dias ou meses, e em seguida ficam negativos sem perspectivas de recuperação. Basta que se faça back tests de boa qualidade para conferir este problema, e estes são dois dos melhores sistemas que existem no Mercado.

 

No caso do Saturno V, as estratégias são concebidas a partir de análises exaustivas sobre quais padrões parecem se repetir com muita uniformidade e regularidade. Os parâmetros da estratégia são inicialmente estimados com base nestas análises; depois fazemos otimizações com centro nos valores inicialmente estimados e testamos valores até cerca de 10 desvios-padrão para mais ou para menos do que a média, variando de 0,2 em 0,2 desvio-padrão. Isso nos proporciona uma visão panorâmica sobre as propriedades gerais da estratégia, bem como os prováveis pontos a serem ajustados. Quando nenhum dos valores possíveis produz resultados muito bons, mudamos parte da estratégia. Quando os balanços finais são demasiado sensíveis a pequenas mudanças nos valores de alguns parâmetros, também mudamos a estratégia. Há muitas máculas que outros deixam passar despercebidas, e gastam meses testando estratégias sem perspectivas, enquanto nós descartamos ou modificamos rapidamente as estratégias que apresentam estas imperfeições de difícil detecção. Assim, com aprimoramentos sucessivos, nossa estratégia inicial se valoriza como um diamante bruto em processo de lapidação, até alcançar um estágio tão elevado que parece não haver mais alterações que contribuam para melhorar a qualidade. Há outros artigos em que comentamos com mais detalhes os nossos procedimentos. 

 

 

2) Como a estratégia é testada.

 

Há muita variedade sobre como se testam as estratégias. Basicamente se usa uma série histórica minuto a minuto e se faz uma modelagem com qualidade 90% (every tick). Em mais de 99,99% das vezes, isso conduz a resultados totalmente irreais, com balanços superestimados e que não são reproduzidos quando se passa do back test à situação real. A crença de que basta que o sistema execute operações longas para que se possa usar indiscriminadamente bases de 1 minuto é ingênua e não leva em conta diversos detalhes de importância decisiva, entre os quais o mais básico e evidente (mas não o único nem o mais importante) é a execução de várias falsas operações lucrativas dentro do mesmo candle, sendo que em situação real estas não se repetem. Isso ocorre porque nos back tests o interior dos candles, se não estiver preenchido por ticks reais, é preenchido artificialmente por ruído branco ou algo que o valha para simular ticks, e esta costuma ser a principal causa deste problema. Esse detalhe é relativamente fácil de corrigir, porém há vários outros difíceis de identificar e de corrigir.

 

Com o Saturno V os testes quase sempre são feitos com séries tick-by-tick de alta qualidade. Só são realizados em séries minuto a minuto quando se verifica que, dadas as particularidades da situação, a disparidade entre os resultados em séries de ticks e séries de minutos é muito pequena num período de vários anos, então o uso da série de minutos (ou mais) num período no qual não se dispõe de bases de ticks é supostamente aceitável como meio de prolongar o período disponível para testagem, ficando, assim, parte do teste realizado em base de ticks e parte em outra base. Havendo similaridade entre os resultados nas duas partes da base, isso também indica que o uso foi legítimo. Para que um teste em bases de minutos seja válido é necessário atender a algumas condições relacionadas à estratégia utilizada, o tamanho médio das operações, critérios para entrada e saída, metodologia de testagem e de seleção de resultados etc. Quem simplesmente pensa que fazendo operações longas pode usar bases de 1 minuto porque os pontos de entrada serão semelhantes, está completamente equivocado e amargará muitas perdas.

 

 

3) Critérios utilizados para definir pontos de entrada.

 

Há muitos sistemas que entram aleatoriamente e tentam ganhar por algum tempo usando Mantigale na gestão de capital. Isso é discutido em nosso artigo específico sobre o uso de Martingale. Outros entram com base em estratégias definidas conforme o item 1 desta lista. Isso é mau, já que mais de 80% do sucesso de um sistema depende do ponto de entrada, porque ao entrar se dispõe de muito mais liberdade para escolher o ponto ideal, enquanto o ponto de saída está sujeito a limites mais estreitos, devido aos limites de perda que se pode assumir. Assim se pode escolher praticamente qualquer ponto que se queira para entrar, no entanto há apenas uma variedade bem restrita de escolha no intervalo no qual se pode definir o ponto de saída, e muitas vezes o melhor ponto de saída possível está fora dos limites do que se poderia escolher.

 

Os pontos de entrada no caso do Saturno V são definidos com base em estratégias elaboradas conforme dito no item 1 e selecionadas com base no item 5. Em sistemas diferentes são adotados critérios específicos em harmonia com a estratégia utilizada, mas vários dos critérios são universais e se aplicam em todos os casos. No caso do Saturno V 3.1415926c buscamos não apenas acertar a direção do movimento dentro dos limites definidos pelo stop loss, mas também acertar o mais perto possível para qualquer stop loss arbitrariamente curto que seja usado, sem no entanto ser tão preciso a ponto de perder algumas oportunidades de entrada por questão de 5 pips ou algo assim. Esse detalhe nos permite conseguir ganhos anuais 3 vezes maiores, com máximo drawdown quase 3 vezes menores do que os melhores fundos de investimento existentes no Mercado. Lembrando, porém, que estas performances são possíveis somente enquanto o volume de dinheiro negociado encontrar no Mercado a liquidez de que precisamos, ou seja, para somas muito acima de $ 100 milhões sentiríamos falta de liquidez e a performance começaria a diminuir.

 

 

4) Critérios utilizados para definir pontos de saída.

  

A quase totalidade dos sistemas usa basicamente 4 critérios de saída:

 

1) por indicadores técnicos,

2) por take profit,

3) por stop loss fixo,

4) por stop loss dinâmico, inclusive o tradicional trailing stop.

  

O Saturno V possui vários critérios para fechar posições ganhadoras ou perdedoras, inclusive os tradicionais stop loss fixo e trailing stop. Além destes, usa critérios baseados em padrões que denunciam inversão de tendências, ruptura de congestões, variações na volatilidade e alguns cujos detalhes consideramos mais prudente não revelar. De modo geral, os critérios de saída procuram levar em conta se o posicionamento inicial do stop loss foi apropriado, se as propriedades gerais do Mercado se mantiveram desde que a posição foi aberta, se o sinal de entrada permaneceria vigente caso a entrada ainda não tivesse sido feita, se o tempo entre a entrada e a saída está dentro das expectativas em comparação ao histórico de operações realizadas, entre outros fatores. Com isso conseguimos, em alguns casos, sair bastante antes de chegar ao ponto de stop loss, minimizando as perdas, e conseguimos também atualizar os pontos de saída com lucro de modo a prolongar os ganhos.

 

 

5) Critérios usados para selecionar os resultados mais promissores em cada otimização.

 

A seleção dos melhores genótipos [*] de uma otimização é quase tão importante quanto a formulação de uma estratégia vitoriosa. No entanto este desafio costuma ser abordado com a mesma simploriedade com que se trata da formulação da estratégia e realização das otimizações. Normalmente a seleção é feita com base nos conjuntos de parâmetros que atingem maior balanço, ou menor drawdown, ou maior profit factor.

 

Nós ainda não temos uma plataforma que nos permita usar ITR para selecionar as melhores performances, mas usamos diversos critérios que emulam satisfatoriamente uma seleção que teria sido fundamentada em ITR. A diferença é brutal em comparação aos métodos tradicionais, e esta diferença pode ser facilmente medida usando os melhores genótipos escolhidos com base nestes critérios e comparando com os melhores genótipos escolhidos com base em critérios convencionais, e rodando ambos num período diferente daquele em que a otimização foi feita. Com nosso método temos 100% dos genótipos positivos quando rodam em períodos diferentes daqueles em que foram otimizados e praticamente não há queda de performance entre período de otimização e período de confirmação, ao passo que pelos métodos convencionais cerca de 45% das performances medidas fora do período de otimização se tornam negativas e praticamente 100% delas ficam abaixo do que havia sido obtido na fase de otimização. Em outras palavras: dentro dos limites de flutuação estatística que se pode considerar aceitável, quando selecionamos os melhores genótipos por meio de nossos critérios, não observamos diferença de performance entre período de otimização e período de verificação, mas quando esta seleção é feita usando métodos convencionais de seleção de genótipos, a queda de performance é muito sensível e freqüentemente os resultados se tornam negativos, portanto este é um diferencial muito importante em nossa metodologia.

 

[*] Em algoritmos genéticos, o termo genótipo representa o conjunto de parâmetros que caracterizam um indivíduo.

 

 

6) Similaridade entre back tests, contas reais e contas demonstrativas.

 

Este é um dos diferenciais mais importantes e que envolve uma enormidade de detalhes. Uma rápida pesquisa pela Internet mostra uma quantidade imensa de artigos em sites credenciados, condenando o uso de back tests como meio para prognosticar performances futuras. Isso indica que mesmo estes autores supostamente experientes e capacitados ainda não descobriram como os back tests devem ser feitos para que os resultados sejam extremamente fidedignos e possibilitem previsões com alta precisão sobre o que se pode esperar de um sistema. São raríssimos os artigos que descrevem como os back tests deveriam ser feitos, cujos autores realmente parecem ter compreendido detalhes relevantes, como o uso de bases tick-by-tick e outros pormenores. No entanto ainda não encontrei nenhum artigo ou conjunto de artigos que discuta alguns pontos cruciais, havendo uma grave e extensa lacuna na literatura que versa sobre este tema. É possível que alguns autores não comentem por não desejarem compartilhar estes conhecimentos, mas também é possível que não comentem por não saberem como deve ser feito. O fato é que, até onde sei, não há artigos ou livros que expliquem os procedimentos a serem seguidos para se realizar back tests confiáveis. Também não conheço estudos equivalentes aos que estamos fazendo com o Saturno V, por meio dos quais evidenciamos que os pontos de entrada e saída são extremamente semelhantes tanto nos nossos back tests quanto nas contas reais. Isso significa que temos 10 anos de back tests que nos servem melhor do que 10 anos de histórico em contas reais, pelos motivos que já expusemos em outros artigos, porque podemos repetir back tests várias vezes, com mudanças nos parâmetros e verificar como estas mudanças influem nos resultados, enquanto um histórico em conta real só poderia ter sido realizado uma vez e com um único conjunto de parâmetros, ou com algumas alternativas previamente definidas de parâmetros (cada conta com um conjunto diferente de parâmetros), porém não de forma interativa e evolutiva, em que as novas tentativas se baseariam nos resultados obtidos nas tentativas anteriores, isso não é possível nas contas reais, mas é possível nos back tests. Isso nos coloca muito à frente e muito acima. Poderia comparar a realização de back tests com a destreza no manejo de nunchaku ou sann-tieh-kuan. Se a pessoa sabe como fazer, torna-se uma arma poderosa ou um instrumento de coreografias de extrema beleza, mas para quem não sabe como fazer, além de não ter nenhuma serventia para um combate ainda acaba machucando a si mesma.

 

A realização de back tests de alta qualidade é um quesito imprescindível ao desenvolvimento de sistemas realmente eficientes.

 

 

7) Qualidade das bases de dados.

 

Normalmente os back tests com outros sistemas são realizados nas bases de que se dispõe, sem a preocupação de qual é a confiabilidade na qualidade destas bases. Quem age assim certamente sofrerá prejuízos, e depois colocará a culpa nos back tests, ou na estratégia, ou na corretora, ou no cachorro do vizinho.

 

No caso do Saturno V, dispomos de várias bases com diferentes origens, e para cada sistema específico ou cada versão específica ou cada configuração específica, usamos as bases mais extensas de que dispomos e que possam atender aos quesitos mais rigorosos de funcionalidade, respeitando as particularidades de cada teste realizado. Um dos procedimentos que adotamos quando a base utilizada no teste não é a melhor base disponível consiste em comparar exaustivamente os resultados obtidos na base ideal com os da base mais longa, variando alguns parâmetros-chave na configuração de modo a poder estimar em que medida o uso de uma base inferior pode inflacionar ou deflacionar a performance quando o mesmo sistema for usado numa base de alta qualidade ou em situação real. Também adotamos outras medidas de segurança para melhorar a precisão. O resultado é que nossos back tests estão produzindo pontos de entrada e saída com menos de 1 pip de diferença em comparação às operações reais, isto é uma diferença tão pequena que fica no mesmo nível da diferença observada entre dois brokers diferentes, ambos em tempo real. Tendo em conta as limitações tecnológicas e físicas na transmissão dos dados, o nível de exatidão a que chegamos é provavelmente o máximo a que se pode chegar, ou muito perto do máximo. No entanto, esta acurácia não é igual para todos os nossos sistemas. Ela se aplica nos casos do Saturno 3.1415926c, 3.141592653, 3.14159 GBPUSD, 4.0 e posteriores. No entanto não se aplica à versão 3.03 ou 3.14159 com algumas configurações otimizadas em 30 anos. Nestes casos a acurácia é menor, porém as operações são mais longas e menos sensíveis a esta queda de precisão. Não são menos sensíveis apenas por serem mais longas, mas também por outros detalhes.

 

 

8) Propósito com que todo o trabalho é realizado.

 

Existem diversos tipos de sistemas automáticos, que podem ser classificados de acordo com a finalidade para a qual foram criados.

 

A maioria dos sistemas disponíveis para download gratuito foram criados para uso pessoal, mas se revelaram ruins, por isso são jogados na rede. Em alguns casos, talvez sejam colocados na rede para desviar o foco de quem tenta fazer algo que funcione a partir deles ou inspirado neles. Em outros casos, pode ser realmente um ato altruísta de compartilhar informações. Objetivamente, embora não funcionem, eles geralmente possuem algumas strings que podem ser reaproveitadas de diversas maneiras, portanto estes sistemas “sucata” tem lá sua serventia.

 

Os sistemas criados para disputar competições em que uma cópia do sistema precisa ser enviada aos organizadores, provavelmente não são bons ou o autor não acredita que sejam bons, caso contrário não cederiam gratuitamente cópias ao promotor de um evento. Estes sistemas são configurados para atingir níveis muito altos de rentabilidade, se contarem com ajuda da sorte, ao contrário dos sistemas para uso em situação real, que ganham menos porque a principal preocupação dos autores é não perder aquilo que se tem, e por iso adotam níveis de risco baixos ou moderados. Os sistemas para competições são os que mais facilmente iludem os incautos, porque conseguem altas performances em condições controladas e sob supervisão, sem riscos de fraudes, já que os organizadores do evento devem estar fiscalizando tudo. Isso leva pessoas a comprarem os sistemas que vencem ou ficam entre os primeiros nestas competições, e invariavelmente perdem o dinheiro que pagam mais o dinheiro que aplicam. Isso porque não basta que um sistema funcione bem por 3 meses em tempo real em condições à prova de fraude. Além disso seria necessário considerar que entre 1.000 sistemas participantes de um certame que fizessem operações aleatórias, casualmente o sistema que tivesse mais sorte facilmente chegaria a mais de +700% de lucro e até mesmo teria boas chances de chegar a mais de 2.000% antes de quebrar. O que realmente poderia ser encarado como indício de eficiência seria se o tal sistema se mantivesse positivo em 3 ou 4 eventos consecutivos com performances semelhantes. Mas na prática o que se tem observado é que TODOS os primeiros classifciados em determinado ano ficam negativos ou muito mal classificados nos anos seguintes. Outro fator que pode inflacionar as performances é que alguns sistemas operam exclusivamente em tendências e fracassam nas congestões, enquanto outros operam exclusivamente nas congestões e fracassam nas tendências. Assim se durante uma competição de 3 meses houver exclusivamente um cenário de forte tendência, os sistemas com este perfil ficarão incrivelmente lucrativos, porém quebrariam rapidamente num período mais longo que incluísse congestões de amplitude variável. O mesmo no caso de sistemas para congestão, que quebrariam na primeira forte tendência. Um sistema realmente bom de tendência deve ser como o Saturno V 3, que lucra muito nas tendências e perde pouco ou nada nas congestões, e um bom sistema de scalping ou swing deve ser como o Saturno 4 (ainda em teste) que lucra muito nas congestões e perde pouco nas tendências. O uso combinado de ambos pode ser ainda melhor.

 

Os sistemas criados exclusivamente para serem vendidos são os mais perigosos, porque são intencionalmente testados de maneira incorreta para produzir resultados inflacionados. Quando comecei a fazer back tests, em setembro/outubro de 2006, percebi que os resultados eram muito diferentes do que se podia conseguir nas operações em tempo real, e em alguns dias identifiquei o problema e fui o pioneiro a publicar artigos sobre a importância de se usar bases tick-by-tick, que atualmente já é um fato conhecido por quase 5% dos melhores desenvolvedores. Enquanto eu segui este caminho, de tentar a todo custo realizar testes cujos resultados pudessem ser confiáveis, uma multidão de outras pessoas optaram por um caminho diferente, de se aproveitar de que os back tests malfeitos produzem resultados exorbitantes e usar estes resultados para empurrar seus produtos ruins a clientes inexperientes. Não se preocuparam em aprender como se deve fazer back tests corretos, apenas decidiram vender lixo a um preço injusto. Um sistema que não funciona vendido por $ 0,99 no eBay é caríssimo, porque além do valor pago, a pessoa perde dinheiro ao usá-lo, ao passo que um sistema de 200 milhões que consegue performances consistentes acima dos melhores fundos que operam no mesmo nível de risco é muito barato porque produzirá ganhos muito maiores a quem o utilizar e pode recuperar os $ 200 milhões investidos em questão de poucos meses, sendo um dos melhores investimentos possíveis, já que a maioria das aplicações neste patamar demora anos até recuperar o investimento e começar a produzir lucros. Um grande shopping center, por exemplo, leva de 5 a 10 anos para que se consiga recuperar o investimento, sem contar os anos de construção.

 

Os autores de sistemas de $ 100 já os produzem sabendo que não vão funcionar, e nem estão preocupados com isso. Valem-se de numerosos subterfúgios para maquiar resultados e causar a ilusão de que o sistema é bom, e é mais fácil enganar pessoas obtusas com falácias básicas que sejam aparentemente corretas mediante análises superfiais do que convencer estas pessoas com argumentos corretos sobre algo mais difícil do que elas poderiam entender. Assim elas acabam caindo no golpe e só percebem que o sistema não funciona quando já gastaram um pequeno valor na compra e um grande valor aplicando sob gestão do sistema. Eu não incluiria neste grupo os casos como o de Hendric, autor de Phoenix, que me parece uma pessoa idônea e colocou seu sistema à venda após uma interessante “confirmação” de performance em competição de 3 meses. A performance foi num período muito curto, o autor declarou em sua entrevista que os back tests foram feitos em histórico de apenas 6 meses, naquela época o uso de bases de ticks ainda não havia começado a se disseminar, portanto ficou claro, em sua entrevista, que houve várias falhas metodológicas na testagem e na otimização (aliás, justamente devido às declarações que ele deu na entrevista é que estas falhas ficaram evidentes, já que os resultados foram positivos), estas declarações levam a crer que ele acreditava no que dizia, portanto descaracteriza a intenção de dolo. Em minha opinião, o Hendric se empenha sinceramente para produzir algo bom, e se encontrar os caminhos ele se tornará um forte concorrente. Há quase uma dúzia de outros desenvolvedores de sistemas automáticos que eu incluiria no mesmo grupo de Hendric, de pessoas capacitadas, bem intencionadas e que alguns serão fortes concorrentes. Entre centenas de autores que tive a oportunidade de conhecer, diria que Lutz Tautenhahn, Wanderson Lage, Renato P. dos Santos, Fernando Botti, Charles Adriano, Luis Guilherme Damiani, Alessandro Paulino são alguns fortes candidatos a se tornarem nossos concorrentes. Estimo que dois ou três destes devem ter sistemas funcionais nos próximos anos, e devem se unir ao nosso projeto ou serem contratados por alguma empresa, ou desenvolverem seus próprios sistemas e se tornarem sérios concorrentes. Não desejo ser pretensioso, mas acho improvável que mesmo nos próximos 5 ou 10 anos a diferença de rentabilidade entre o CDI e os sistemas que eles desenvolverem seja igual a 1/3 da nossa em relação ao CDI, operando no mesmo nível de risco e mesmas condições gerais. Claro que posso estar redondamente equivocado e talvez todos eles nos ultrapassem com larga margem; isso só o tempo dirá.

 

No caso do Saturno V, foi desenvolvido com fins filantrópicos, sociais, ambientais, científicos, culturais, educacionais, pessoais, egocêntricos e comerciais. Nos próximos anos, provavelmente teremos uma parcela muito expressiva de nosso capital líquido sendo gerido pelo Saturno V, talvez 99%, como faz Buffett. E parte dos lucros auferidos serão destinados ao saneamento básico em regiões carentes, assistência médica, educação etc. Também tenho minhas ambições pessoais, inclusive a aquisição de um telescópio 40” JMI, a curto prazo, e a montagem de um grande telescópio com ótica adaptativa, a médio ou longo prazo. E tenho ainda minha vaidade pessoal e meu egocentrismo que me levam a desejar que nosso sistema seja o melhor do mundo, e estabeleça recordes em contas reais tão notáveis quanto já estabeleceu em contas demonstrativas. As vendas de cotas serão encerradas quando for atingido o limite que estou disposto a me desfazer ou quando for vendida a primeira licença de uso, portanto há também objetivos comerciais, com certas reservas.

 

 

9) Histórico de realizações do autor em atividades correlacionadas.

 

A quantidade de pessoas que gostaria de ser jogador de futebol escalado para a seleção nacional é imensa, porém pouquíssimos são os que efetivamente atingem o grau de excelência necessário para isso. O mesmo se aplica em praticamente todas as atividades. Muita gente tenta ganhar dinheiro no Mercado Financeiro, e o desenvolvimento de sistemas automáticos acaba criando um campo promissor para dois perfis de pessoas: as criativas e as trapaceiras. As primeiras tendem a enriquecer a longo prazo, enquanto as do outro grupo devem terminar na cadeia, ou, se tiverem sorte, devem terminar “apenas” com a reputação arruinada para o resto da vida e sem perspectivas de se reestruturarem financeiramente. Isso me parece uma penalidade justa pelos prejuízos que elas irresponsavelmente causam a outras pessoas. Um varredor de rua que não seja muito habilidoso não causará muitos danos às pessoas se ele não executar bem seu trabalho, porém um cirurgião que não exerça sua profissão com maestria tende a causar danos irreparáveis a muita gente. Dependendo do trabalho que se realiza, é necessário ter mais responsabilidade e idoneidade para não causar mal a multidões de pessoas, ou danos graves a algumas pessoas. Por isso não basta querer ganhar dinheiro com determinadas atividades. Além disso também é necessário ter vocação, competência, aptidão, talento, vontade, amor pela atividade, caso contrário o resultado será desastroso para a tal pessoa e para quem esteja em sua volta.

 

Nesse aspecto temos um dos mais importantes diferenciais e que, de certo modo, representa uma garantia de que, se for possível que tais resultados sejam atingidos conforme em nossos back tests, nosso grupo é um dos que tem maiores probabilidades de os atingir. Se não for possível, nós somos provavelmente os que mais podemos nos aproximar destes resultados. Em ambos os casos, nosso sistema deve ser o melhor ou um dos melhores, e desde que existam milhares de fundos no mundo, e o nosso seja no mínimo um dos 10 ou 20 melhores, não será difícil que tenhamos centenas ou pelo menos dezenas de clientes institucionais interessados. Se, além disso, o nosso for o melhor entre todos, que é nosso principal objetivo, rapidamente teremos nosso próprio banco e seremos terceirizados por vários fundos que aplicarão conosco, além de receber vultosos investimentos diretos.

 

Após a primeira operação do Saturno V em conta real, perdemos 14,4%. Quando isso aconteceu, me pareceu justo oferecer a cada cotista, exceto a um [*], a possibilidade de sair do negócio. Nenhum cotista quis sair e vários manifestaram apoio e solidariedade, com mensagens de incentivo. A mensagem mais marcante foi enviada por nosso amigo Romolo Disconzi: 

 

“Olá, Melão.

 

Como eu já havia comentado aqui em casa, eu acredito que desenvolver um sistema automático eficiente é uma tarefa que poucas pessoas têm condições de realizar. Felizmente, mesmo que apenas poucas pessoas no mundo consigam tal feito, temos a sorte e o privilégio de você estar entre elas e ter disponibilizado a oportunidade para que mais indivíduos participem. Eu sinto que abandonar o barco seria como viver o resto da vida à luz de velas porque uma única lâmpada queimou.

 

Vou manter o e-mail breve, pois tenho alguns compromissos com o meu pai agora pela manhã, e estamos de saída.

 

Abraços!

Romolo”

 

 

Romolo Disconzi é um dos melhores jogadores do Brasil de “Magic The Gathering”, um jogo de estratégia complexo e difícil, que requer a formulação de estratégias eficientes, gestão de risco em alto nível, pensamento lógico preciso e profundo, criatividade, entre outros predicados. Por isso sua aposta foi mais além de apenas adquirir cotas do Saturno, ele apostou em que mesmo que o nosso melhor sistema atual não fosse o melhor do mundo, provavelmente se tornaria um dos melhores após sucessivos aprimoramentos, sendo apenas questão de tempo até chegarmos a este objetivo. Além desta visão, ele considera que é extremamente vantajoso entrar num negócio excepcionalmente promissor que se encontra em estágio inicial, porque por enquanto é muito barato, mas num futuro próximo o ingresso será inacessível a quase todos.

 

Para conhecer um pouco sobre o autor do Saturno V, este link é uma fonte razoavelmente completa.  

 

[*] O único cotista ao qual não foi oferecida a oportunidade de deixar o negócio sou eu. Porque levaria adiante sozinho, se necessário.

 

 

10) Nível cultural, intelectual e analítico dos cotistas que apostam no sistema.

 

O perfil médio da pessoa que compra sistemas automáticos de $ 99 é de alguém com pouca cultura, pouco discernimento e que sonha em enriquecer fácil. Não é muito diferente da pessoa que aposta em loterias ou espera encontrar uma árvore de dinheiro no quintal de sua casa. Este perfil é o mais comum e o mais apetitoso alvo para os vendedores de ilusões. Pelo menos 5 pessoas até o momento tiveram a oportunidade de adquirir cotas do Saturno V, fizeram várias perguntas, demonstraram interesse, mas, em vez de se tornarem nossos cotistas, optaram por algo mais barato. Além do dinheiro pago por um sistema “barato”, perderam algumas dezenas de milhares de dólares operando com o referido sistema, e depois de algum tempo voltaram a me procurar, mas quase todos foram recusados, porque não temos interesse em pessoas com este perfil. Se a pessoa não conseguiu enxergar a diferença entre nosso sistema e o resto, ou se enxergou a diferença e mesmo assim optou pelo caminho errado, então não é alguém que possa integrar nosso time.

 

À medida que o Saturno V evolui e produz evidências mais abundantes de funcionalidade, vai se tornando cada vez mais fácil perceber o quanto ele é bom. Mas nos estágios mais iniciais, só uma fina elite intelectual consegue compreender bem suas virtudes e percebe que a relação risco/recompensa é uma das melhores que existem entre todos os empreendimentos possíveis, não apenas no mercado financeiro.

 

Quem pensa em entrar mais adiante pode ter a falsa sensação de que com isso terá vantagem, porque havendo mais evidências de funcionalidade, o risco supostamente se torna menor, por outro lado o preço das cotas é freqüentemente atualizado à medida em que os resultados obtidos corroboram nossas expectativas. Assim os primeiros a terem adquirido suas cotas foram os que realmente levaram maior vantagem. Além disso, o risco não diminui com o acumulo de evidências de funcionalidade. O risco é o mesmo, e apenas aumenta a abundância de fatos para evidenciar que o risco era muito baixo desde o início, fato que poucos foram capazes de perceber no primeiro momento.

 

Em nossa seção de depoimentos há vários comentários de cotistas em que expõem suas opiniões, e ao final de cada depoimento temos um breve resumo sobre as credenciais de cada cotista. Temos também uma página no site específica sobre o perfil médio dos cotistas. Ambas podem proporcionar uma idéia razoavelmente precisa sobre quem são nossos sócios, em comparação ao perfil dos clientes de sistemas de $ 99. Somos uma minoria, a minoria que pensa melhor, que toma as melhores decisões e que ficará no topo da pirâmide que concentra a maior parte da renda. Se 2% da população concentra 50% da renda, é mais vantajoso estar nestes 2% do que ao lado da maioria que toma decisões incorretas sobre quase tudo.

 

A longo prazo, quando tivermos um banco de varejo, poderemos disponibilizar alguns de nossos serviços também às maiorias. Com o banco, daremos a todos a oportunidade de participar, porque muitos não aderiram por falta de condições, ou porque ainda não tomaram conhecimento de que nosso sistema existe, e a estes a oportunidade deve ser oferecida. Por isso depois que tivermos um banco de investimentos e este estiver a pleno vapor, também abriremos um banco de varejo, com fundos populares.