| Astrofotografia e edição de séries históricas |
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| Artigos - Investimentos | |||
| Escrito por Melao | |||
| Sexta, 04 Setembro 2009 04:45 | |||
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Com um processamento feito no Registax, obtivemos esta imagem (à direita). A riqueza de detalhes é muito maior, evidenciando inclusive as formas de algumas tempestades no topo das nuvens do planeta gigante, as diferentes tonalidades de marrom, ocre, bege, cinza chumbo, vermelho, marrom esverdeado etc. Um amigo de um amigo chegou a comentar que parece foto tirada por sonda espacial. Com exceção do Fábio Plocos, que além de ser o melhor astrofotógrafo do Brasil e um dos melhores do mundo, é membro da equipe do Hubble para fotos de Júpiter, não conheço outros brasileiros com fotos sensivelmente melhores. Embora o resultado final seja parcialmente devido às excelentes condições Por analogia com séries históricas de cotações, o que estes resultados indicam é que uma série histórica degradada por diferentes fatores que impliquem a poluição, por ruídos, pode ser recuperada até um nível consideravelmente alto. Uma foto tirada acima da atmosfera, que não estivesse sujeita à turbulência, refração, difração etc., como as fotos do Hubble, não estão sujeitas a ruídos, por isso não precisam desse tipo de processamento. Porém quando se tem uma densa atmosfera obstruindo a passagem dos raios luminosos, pode-se melhorar consideravelmente a qualidade da imagem partindo de algumas hipóteses, entre elas a de que as perturbações são aproximadamente aleatórias, de modo que os ruídos (erros) devem se dispersar enquanto os sinais verdadeiros devem se intensificar quando se sobrepõe muitas imagens quase iguais, em que a maioria das diferenças entre elas seja causada pelos ruídos que atuam de maneira ligeiramente diferente em cada uma.
Embora o processamento para melhorar a qualidade de séries históricas seja bastante semelhante em alguns aspectos fundamentais, há diferenças decorrentes das particularidades de cada situação. Uma delas é que nas cotações se tem uma imagem linear pseudofractal, e o tratamento é comparativamente mais fácil, podendo ser realizado sem o auxílio de softwares dedicados, embora pudesse ser substancialmente aprimorado se houvesse softwares para essa finalidade. Outra diferença é que, se por um lado é mais fácil, por outro é menos efetivo e a maioria do ruído acaba não sendo eliminada porque é muito mais difícil distinguir o que é sinal do que é ruído numa situação em que não existem informações sobre cores, tonalidades e luminosidade nas imediações de cada pixel, que pudessem favorecer o reconhecimento de cada pixel particular em comparação com os demais nas imediações e assim estimar as probabilidades de cada pixel ser um ruído. Além disso, nas séries de cotações não há como usar sobreposição de imagens muito semelhantes com a finalidade de reconhecer sinais mais fortes. O que se consegue fazer é usar cotações de EURJPY e USDJPY para gerar USDJPY e depois sobrepor ao USDJPY original e conferir se coincidem. O mesmo para GBPJPY e GBPUSD e depois gerar outro USDJPY. Sobrepondo estes vários USDJPY se consegue um resultado final significativamente mais fidedigno do que usando apenas o USDJPY original. Lembrando que não basta sobrepor as séries, ou calcular as medias em cada momento. Isso produziria apenas o equivalente à primeira imagem de Júpiter, citada no início, que é melhor do que cada um dos frames individuais, porém ainda é bem inferior ao resultado final depois dos processamentos apropriados.
Há diversos outros meios de melhorar a qualidade das séries históricas, mas aqui nos interessa abordar apenas este.
Também é interessante comentar a importância das condições atmosféricas, que, por analogia, em conjunto com a qualidade ótica, representaria a qualidade original de uma série histórica antes de receber o tratamento. As séries da Disk Trading, por exemplo, apresentam baixa qualidade, mas podem ser substancialmente melhoradas, embora não cheguem a ficar tão boas quanto bases da Gain Capital, por exemplo.
As imagens a seguir foram obtidas com mesmo instrumento, mesmos acessórios, foram processadas com métodos similares, porém os resultados ficam um pouco abaixo, devido às limitações impostas pela atmosfera, que não estava tão favorável.
Nota 2: os pequenos discos escuros sobre Júpiter em algumas fotos são sombras de satélites (Io e Calisto, nestes casos). Além do processamento de imagens, que poderá contribuir para melhorar séries históricas, algumas idéias poderão ser usadas na gestão de risco. Uma delas é que durante o processamento das imagens, além da configuração para remover frames muito ruins (mais diferentes dos demais frames), também se pode remover pixels individuais que estejam muito destoantes dos pixels nas posições correspondentes de outros frames, possibilitando um ajuste fino na imagem final. O análogo em gestão de risco está relacionado à eleição dos filtros que devem ser utilizados, de modo a cortar operações com mais probabilidades de causar perdas sem que isso implique cortar muitas operações que podem resultar em lucro. O estudo de resultados com a mesma versão usando diferentes parâmetros (diferentes configurações) ajuda a selecionar parâmetros individuais que podem ser promissores com quaisquer configurações dos demais parâmetros e minimiza os efeitos de falsos positivos. Seria muito mais difícil eliminar os falsos positivos sem o uso do análogo com processamento de astrofotos.
Boa parte do recente aprendizado com astrofotografia já deverá ser implementada nas próximas versões.
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