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Dois métodos para se ganhar dinheiro Versão para impressão Enviar por E-mail
Artigos - Investimentos
Escrito por Melao   
Quinta, 07 Maio 2009 03:18

Em 2005, antes de optar pelo Mercado financeiro, analisei duas outras alternativas interessantes nas quais poderia aplicar as ferramentas estatísticas com as quais estava familiarizado: corridas de cavalos e loteria esportiva.

Ambas se assemelham nos pontos fundamentais necessários para que sejam modeláveis e previsíveis. Lembrando que outras loterias tem os resultados distribuídos aleatoriamente e não há como lucrar com elas, mas na loteria esportiva se tenta ratear (ratear = atribuir rating) os times, cujas probabilidades de vitória não são iguais, e graças a estas diferenças se consegue fazer previsões com probabilidades de acerto um pouco maiores do que com palpites aleatórios, e essa diferença é suficiente para se obter pequenos lucros percentuais.

Farei uma descrição resumida de como se pode ganhar em loterias e corridas de cavalos, desde que se faça levantamentos sistemáticos de resultados e se estude as ferramentas estatísticas necessárias.

Para começar, é preciso ratear os times de futebol. O sistema de ranking da FIFA é muito ruim, assim como os similares da CBF, porém tem pelo menos um site que adota o mesmo sistema usado em Xadrez, Magic e outras modalidades, baseado no modelo de Rasch, que não é o melhor, mas é suficiente para que se consiga lucrar. Os escores gerados por este método têm uma propriedade muito útil, que é fornecer diretamente informações sobre a probabilidade de vitória de um time toda vez que dois times se enfrentam, de modo bastante coerente e com elevado índice de acertos. Um método um pouco melhor é discutido em nosso artigo sobre a norma de 2003 do Sigma Test, que foi um método de autoria própria, e depois foi aprimorado sucessivas vezes.

Não temos conhecimento de sites com escores desse tipo para times brasileiros, mas para seleções nacionais existe este site http://www.eloratings.net/ que usa basicamente o sistema de Arpad Elo. Com base nesses ratings, se consegue aumentar muito as probabilidades de ganhar os “bolões” nas épocas de copa do mundo, e se for feito um levantamento semelhante para os times brasileiros, se consegue ganhar consistentemente em loteria esportiva. O modelo de Rasch é dicotômico, mas pode ser politomizado de modo a considerar diferentes placares, com base em quantos gols cada time marcou e sofreu, em lugar de considerar apenas vitória e derrota (no modelo de Rasch não há empate). Há diversos outros aprimoramentos que podem ser implementados, mas mesmo que se aplique o modelo de Rasch cru, já se consegue fazer prognósticos promissores.

No caso de corridas de cavalos, a ferramenta estatística a ser usada é a mesma, que pode ser aprimorada de modo a levar em conta os tempos de chegada, velocidade média, curva de evolução das velocidades, sazonalidades de performance causadas por temperatura, queda de performance em função do envelhecimento, harmonia entre cavalo e jóquei etc. Mas mesmo desconsiderando tudo isso e usando apenas o modelo básico, já se consegue ganhar dinheiro.

Existem sites de apostas, inclusive apostas em torneios de Xadrez, nos quais também se pode aplicar estas ferramentas. O lado bom é que, a longo prazo, os ganhos são praticamente garantidos. Os lados ruins são a baixa liquidez, que impede investir valores altos, a escassez de informações prontas sobre históricos de times ou cavalos, que precisa ser coletada e organizada, e a inexistência (que eu saiba) de mecanismos práticos para que se pudesse fazer apostas on-line.

Vamos exemplificar um caso de corrida de cavalos, para entender melhor como funciona. Primeiro se faz levantamento das performances de vários cavalos, para rateá-los usando o sistema Elo. Munido dessa lista de rating, se consegue atribuir a cada cavalo uma probabilidade de ser o campeão.

 

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As colunas indicam respectivamente o nome do cavalo, a probabilidade de que ele chegue em primeiro, o tamanho do prêmio no caso de ele ganhar, o produto do prêmio pela probabilidade de ganhar e se o resultado é vantajoso ou não. A parte um pouco mais trabalhosa é construir esta tabela usando o método de Rasch e a coleta dos dados. Depois que a Tabela está pronta, fica bem fácil fazer as previsões. Basta verificar quais cavalos oferecem prêmios que, ao serem multiplicados por suas respectivas probabilidades de chegar em primeiro produzem um resultado maior do que 1. A escolha não é do cavalo com maiores probabilidades de vitória, isso seria um erro primário. Também não se deve escolher o azarão. A escolha deve ser daqueles cujos prêmios a serem pagos foram calculados incorretamente e estão pagando acima do que deveriam. Neste caso coincidiu de o favorito (cavalo M) se enquadrar num caso promissor, cujo produto de sua probabilidade de vencer pelo prêmio a ser recebido no caso de vitória resultar em mais do que 1. O outro cavalo promissor é o P, pelo mesmo motivo.

Em algumas corridas pode ser que nenhum cavalo atenda a estas condições, então é melhor deixar de apostar. Outras vezes podem apresentar vantagens muito grandes, com resultado perto de 2 (no exemplo acima, os dois melhores ficaram perto de 1,1), e em tais condições pode compensar fazer apostas maiores. Pode-se também otimizar os valores das apostas em função do produto P*P, com maiores apostas quando a probabilidade de sucesso for maior.

Quando vários cavalos apresentam P*P só um pouco acima de 1, pode ser melhor não apostar, se a incerteza nas previsões for grande. Pode-se estabelecer um corte de 1,5, por exemplo, e só apostar quando houver algum cavalo com P*P acima desse ponto de corte, lembrando que quanto maior o ponto de corte, maiores são as probabilidades de sucesso, mas menores são as probabilidades de que tal situação aconteça, então pode ocorrer de durante um dia inteiro não haver nenhuma situação do tipo P*P > 2, e haver 10 ocasiões com P*P > 1,5, o que tornaria mais interessante adotar um ponto de corte mais baixo, porém com maior freqüência de ocorrências e maior quantidade total de sucessos.

Os tamanhos das apostas precisam ser pequenos, cerca de 1% a 5% do capital disponível, e conforme se vai acumulando um histórico de resultados, se pode usar o critério Kelly para redimensionar as apostas.
Isso não é uma galinha dos ovos de ouro, é apenas um método que permite ganhar consistentemente nestas modalidades, mas sujeito às limitações de liquidez, principalmente, e requer muito trabalho de compilação de dados, constantes atualizações etc. Antes de decidir entrar no Mercado Financeiro, avaliei que o tempo a ser dedicado não compensaria, e as perspectivas de crescimento não seriam grandes. Seria possível, depois de deixar o método bem calibrado, ganhar cerca de R$ 100.000 mensais, talvez após 2 anos de aprimoramento e distribuição de representantes em vários jóqueis de várias cidades. Não seria possível crescer muito acima disso. Se por um lado o lucro é limitado, por outro lado é muito mais fácil e seguro do que ganhar no Mercado de Ações. O nível de risco é muito mais fácil de calcular, a previsibilidade é muito maior, as ferramentas utilizadas são muito mais simples. No site da Chess Base http://www.chessbase.com/newsdetail.asp?newsid=2652 há um estudo comparativo dos ajustes propostos por Jeff Sonas ao método tradicional de Arpad Elo, corroborando a excelente previsibilidade do método e a ligeira supremacia do método de Sonas em comparação ao de Elo. Há outros métodos ainda, superiores ao de Sonas, entre os quais os modelos de Lord, Birnbaum etc., sendo que o método mais recente para normatizar o Sigma Test é provavelmente o melhor (mais preditivo).

 

Um dos cotistas do Saturno V, EF, desenvolveu um método para ganhar em cassinos e faturou um bom dinheiro até ser expulso de praticamente todos os cassinos, embora não houvesse nada de ilegal ou desonesto em seu método. O problema é que os cassinos não admitem que ninguém ganhe o dinheiro deles, não importa se o método adotado é justo ou não. Há diversos outros métodos matemáticos para se ganhar em dados, roleta, Black Jack etc. Porém quando se joga em cassinos, se está jogando contra a casa, e a casa não aceita perder. Nos casos de corridas de cavalos e loterias, parte da arrecadação é revertida em prêmios, portanto “a casa” não precisa proibir que o jogador vitorioso continue a ganhar indefinidamente, o que representa uma vantagem interessante.