| Meta Trader 5.0 |
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| Artigos - Investimentos | |||
| Escrito por Melao | |||
| Quarta, 23 Junho 2010 01:28 | |||
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Em 1995, dois anos antes de Hong Kong deixar de ser colônia britânica, foi disputado nesse país a 8ª edição do “World Computer Chess Championship”, que, diferentemente das edições anteriores, não foi vencido por um mainframe, mas sim por um programa que rodou num simples PC caseiro, um Pentium 90MHz com 16 Mb de RAM, e não foi desenvolvido por uma universidade nem por um centro de pesquisa de alta tecnologia, mas por duas pessoas apenas, Frans Morsch com colaboração de Mathias Feist. Este programa foi o Fritz 3. Estiveram competindo com ele alguns “monstros” como Star Socrates, do MIT, com 1824 coprocessadores Intel Paragon; protótipo do Deep Blue, que em 1997 derrotaria Kasparov, com 250 coprocessadores IBM, Frenchess, desenvolvido pela Commissariat a l'Energie Atomique da França, com 128 coprocessadores etc. Após essa vitória extraordinário, Fritz 3 se consagrou como um dos melhores programas do mundo. Muitas pessoas acreditam que trabalhos intelectuais são como carregar sacos de batatas, e que uma equipe maior, com orçamento maior e equipamentos mais sofisticados, poderá produzir algo melhor do que uma pessoa sozinha, com menor orçamento e com equipamentos simples. No caso de carregar sacos de batatas, de fato 100 pessoas fortes podem carregar mais do que a pessoa mais forte do mundo sozinha. Ou até mesmo 100 pessoas medianas carregariam mais do que a pessoa mais forte do mundo trabalhando sozinha. No entanto, quando se trata de ideias e de trabalho intelectual, uma pessoa sozinha pode ter diversas vantagens, porque todas as informações na mente da mesma pessoa são muito mais bem interligadas do que se estiverem distribuídas em partes nas cabeças de várias pessoas. Na mente de uma só pessoa, as informações são mais rapidamente e eficientemente associadas e articuladas. Para que várias pessoas pudessem ter sinergia equivalente à sinergia interna de um cérebro só, todas as informações de todos os cérebros precisariam ser compartilhadas por todas elas. O que se tenta fazer em brainstormings, por exemplo, é que cada pessoa contribui com 1 informação que a ela parece particularmente relevante, e todas as demais pessoas agregam aquela nova informação. Mas seria completamente impraticável que todas compartilhassem tudo que aprenderam ao longo da vida. Mas quando um cérebro trabalha sozinho, ele pode fazer associações com algo da infância, com algo da adolescência, com algo do dia anterior e algo que se está vendo agora, sendo que o conjunto só faz sentido depois de juntar todas as peças, e só é possível juntar todas as peças porque estão todas no mesmo cérebro. Se cada fragmento de informação estivesse no cérebro de uma pessoa separada, nenhuma daquelas informações isoladas pareceria relevante para qualquer dessas pessoas, e nenhum delas sugeriria qualquer destas informações para serem analisadas pelas colegas do grupo, porque isoladamente estas informações não fariam sentido com o problema atual que estaria sendo examinado, pois algumas das informações necessárias para que a solução fizesse sentido estariam isoladas nas mentes das diferentes pessoas. Quando um trabalho que pode ser fracionado em partes independentes, e depois estas partes possam ser unidas, então a divisão de tarefas representa uma vantagem importante e se consegue produzir muito mais em equipe do que individualmente. Mas quando um trabalho consiste numa obra que o fracionamento compromete a harmonia, a unidade, a universalidade na conectividade e a consistência interna, acaba sendo mais vantajoso que o trabalho seja feito individualmente. Em 1999, houve uma disputa em que o melhor jogador do mundo de Xadrez, Gary Kasparov, jogou contra o resto do mundo. Tentaram organizar o evento de maneira que o resto do mundo contasse ainda com um comitê auxiliar composto por alguns dos melhores jogadores do mundo, para sugerir boas alternativas contra Kasparov. Havia reuniões privativas no MSN para que o resto do mundo debatesse suas ideias antes de escolher o lance a ser executado. Toda a estrutura foi organizada para que Kasparov perdesse, ou pelo menos para que ele tivesse que enfrentar uma oposição muito dura. Na época, algumas fontes afirmaram que houve mais de 250.000 pessoas participando, enquanto outras fontes falavam em 50.000. De qualquer modo, estava aberto a todos os interessados, inclusive os melhores do mundo. No final, Kasparov sozinho venceu o resto do mundo. A soma de ideias de 250.000 mentes, inclusive algumas das melhores do mundo, era altamente redundante, além de parcialmente conflitante, enquanto a mente de Kasparov sozinha não tinha redundância nem conflitos, os pensamentos de Kasparov se harmonizavam melhor e o resultado final de sua composição foi mais consistente. Se colocassem apenas o segundo melhor do mundo para jogar contra Kasparov, um contra um, ficaria aproximadamente igual ao jogo de Kasparov contra o resto do mundo. Se colocassem o segundo e o terceiro para jogarem juntos contra Kasparov, também ficaria aproximadamente igual. Se colocassem 6 bilhões de pessoas contra Kasparov, também ficaria aproximadamente igual. Somar uma grande quantidade de mentes para realizar determinado trabalho, pode não fazer quase nenhuma diferença em relação a ter apenas uma fazendo aquele trabalho. No caso específico de engines de Xadrez, as melhores engines do mundo têm sido produzidas por 1 pessoa só, não por grandes equipes. Antes dos anos 1990, como os microcomputadores eram caros e poucas pessoas tinham acesso, havia menos pessoas trabalhando nisso individualmente e por isso os grandes centros de pesquisa produziam as melhores engines. Quando os PCs começaram a ganhar popularidade e, sobretudo, depois que surgiram interfaces genéticas (GNU) nas quais as engines podiam ser usadas, poupando aos programadores o trabalho de criar a interface, o numero de engines criadas por pessoas trabalhando individualmente aumentou consideravelmente, e ficou claro que uma pessoa sozinha não tem desvantagem em comparação a uma universidade inteira, ou a todas as universidades somadas, desde que o problema a ser abordado tenha uma solução cujo tamanho possa ser representado por uma só pessoa. Um problema como uma missão espacial de levar o homem à Lua ou o projeto Manhattan requer uma equipe, porque o problema é extenso, divide-se em muitas partes e estas partes podem ser trabalhadas de forma independente e depois reunidas para compor o resultado final. Uma engine de Xadrez típica tem entre 20 kb e 5 Mb. O Fritz 3 tem cerca de 100 kb. É bem pequeno, e uma pessoa sozinha pode fazer o trabalho em questão de dias ou semanas. O que se pode fazer em equipe é a interface gráfica ou o livro de aberturas, mas a heurística da engine é feita individualmente e esta tem se mostrado a melhor maneira, porque a heurística feita inteiramente pela mesma pessoa é mais harmoniosa, coerente e consistente do que se tiver partes de pensamentos de diferentes pessoas. Quando se tem duas ou mais pessoas juntas jogando Xadrez contra outra sozinha, estas que estão juntas acabam desenvolvendo planos mais fragmentados e menos focados num objetivo do que se apenas uma delas estivesse jogando. Por isso é ilusório pensar que uma grande equipe, com um farto suporte financeiro e tecnológico, poderá levar grande vantagem em comparação a uma pessoa sozinha, se o tipo de problema for como a criação de uma engine de Xadrez, um sistema de investimentos ou algo do gênero. Em 1996, quando foi lançado o Fritz 4, a expectativa era imensa, porém foi uma grande decepção. A antiga interface de DOS foi substituída por uma bonita (e pesada) interface para Windows, com vários recursos inúteis e toda sorte de banalidades, mas quase nenhum aprimoramento real que pudesse interessar aos enxadristas, e o pior, a força de jogo diminuiu, porque a engine foi mantida quase inalterada, porém como a nova interface demandava mais recursos, sobrava menos para ser usado pela engine. Quando foi lançado o Fritz 5.0 (em 1998, se não me engano), este sim foi um salto evolutivo extraordinário, assumindo o topo da lista de rating SSDF e se mantendo, com suas versões subseqüentes, como melhor do mundo durante vários anos.
O lançamento do Meta Trader 5 pode ser comparado ao do Fritz 4. Há quase 1 ano a Meta Quotes está anunciando que em breve o Meta Trader 5 seria lançado, criando uma expectativa crescente entre os usuários. Há alguns meses, foi disponibilizada para download uma versão beta, sem o examinador de estratégias, sem o livro de ofertas etc. Hoje recebi e-mail da Alpari informando que este broker já está usando o MT5 nas contas demo. Há alguns dias, o nosso amigo Rodrigo já havia comentado que o MT5 estava disponível. Baixei o da Alpari e comecei a testar. Está acima das expectativas, com base no que havia lido sobre ele e havia visto na versão beta, mas se comparado ao MT4, ficou pior.
Entre as novidades mais interessantes estão:
1) Agora é possível tirar proveito do uso de multiprocessadores, sendo talvez a única vantagem importante entre as testadas 2) Inclui informações sobre drawdown em balanço e equity 3) Inclui índice de Sharpe no relatório 4) Exibe datas no eixo das ordenadas dos gráficos de evolução da carteira 5) Há novos indicadores e time frames 6) Na otimização, a saída distribui as variáveis otimizadas em colunas, em vez de representá-las todas na mesma coluna, como no MT4, facilitando copiar e colar no Excel e reordenar o ranking da otimização com base em critérios relacionados a estas variáveis.
Entre estas novidades, talvez só a primeira necessitasse de uma nova versão. As demais poderiam ter entrado como updates ou plugins na versão 4.
Dizem que as otimizações ficaram mais rápidas e a equipe da Meta Quotes alardeia sobre as vantagens da linguagem MQ5, orientada a objetos e mais rápida do que a MQ4. Pode ser mais uma vantagem, relevante, porém ainda não “senti” e não posso opinar.
Há muitos recursos novos que não agregam quase nada de útil, são o que poderíamos chamar de “perfumaria”, e representam talvez mais de 90% das novidades. Ainda não explorei todos os recursos, mas a possibilidade de otimizar um escore customizado pode ser um diferencial importante, mas ainda preciso testar esse recurso para saber se de fato funciona e se é realmente vantajoso.
Alguns pontos negativos: 1) O livro de ofertas com informações sobre volume, aparentemente só pode ser usado com stocks, futures etc., mas não com divisas. 2) Não há um “importador” que converta EAs escritos em MQL4 para a nova linguagem MQL5. 3) A possibilidade de otimizar um EA em vários símbolos simultaneamente não é extensiva aos back tests, ou seja, pode-se otimizar assim, mas ao rodar o back test precisa-se escolher 1 símbolo de cada vez. 4) Não é permitido abrir posições opostas (fazer “hedge”) de compra e venda num mesmo par.
Algumas degradações em comparação à versão 4 foram: 5) O botão de recalcular o arquivo FXT, que existia até o Build 206 na versão 4, e foi inexplicavelmente removido em builds posteriores, não apenas não foi restituído como parece que as bases FXT não existem mais, impossibilitando a importação de bases tick-by-tick. Isso provavelmente representa a maior das degradações. 6) A possibilidade de importar séries históricas externas aparentemente foi suprimida. Não existe mais o “Centro Histórico”. Ele faz download automático no servidor da Meta Quotes e usa obrigatoriamente a base deles. 7) A otimização com interpolação fractal de 12 pontos foi substituída por otimização M1 OHLC. 8) Aparentemente, as bases de 1 minuto desde 1999 foram reduzidas para desde 2010 e sem possibilidade de importar bases maiores/melhores. 9) Aparentemente, o Meta Editor de MQL5 não inclui o dicionário que havia para MQL4. 10) Ao exibir o gráfico com time frame de 1 minuto, quando se coloca um intervalo no qual não existem dados de 1 minuto, em vez de ficar vazio ou abrir alguma janela com opções, ele passa exibir dados com um time frame diferente, de acordo com as bases disponíveis. Eu não sei se isso deveria constar na lista de “degradações” ou de “bugs”. Depende de terem feito isso intencionalmente ou não.
Alguns bugs: 11) O botão “cancel” não interrompia a otimização no método “slow”. 12) Após fechar o MT4 durante uma otimização, o EA não carrega novamente.
Apesar de todos os problemas, se não existisse o MT4, diria que o MT5 é a melhor plataforma disponível ao público, claramente superior ao Meta Stock. Porém deixa a desejar em muitos aspectos. Enquanto nossa plataforma não estiver pronta ou enquanto não tivermos firmado uma parceria com um amigo que já desenvolveu uma plataforma, espero que os brokers que usam o MT4 não deixem de usá-lo, e o MT5 entre como uma opção, sem aposentar o MT4.
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