| Saturno V – versão para a crise européia |
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| Artigos - Investimentos | |||
| Escrito por Melao | |||
| Segunda, 10 Maio 2010 20:18 | |||
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As tentativas de otimização do Saturno V para operar na situação atual do Mercado começaram com resultados desanimadores. Foram feitas diversas tentativas no período de janeiro de 2010 a maio de 2010, janeiro de 2009 a maio de 2010, janeiro de 2007 a maio de 2010, janeiro de 2000 a maio de 2010. O intervalo mais problemático fica entre 2007 e 2010, especialmente nos últimos 17 meses, em que as configurações ótimas para 2009 se tornam inadequadas em 2010, sendo uma das principais causas um parâmetro que assume valores positivos em 2010 e negativos em 2009, e é extremamente difícil encontrar para este parâmetro um valor que deixe a versão funcional nas duas situações. Também é difícil determinar os pontos em que o valor do parâmetro deve ser mudado para se ajustar ao cenário em que estiver rodando, a menos que se altere a estratégia ou se crie um mecanismo complexo para tentar determinar o ponto de mudança ou uma função suave de mudança gradual. Por enquanto foram feitas tentativas com as versões 4.02 e 4.07b2, e temos motivos para acreditar que não teria sido muito diferente com as versões 5.0 e 4.3. Alguns dos melhores resultados de otimizações com a versão 4.07b2 foram:
O crescimento é vigoroso e bastante consistente entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010, mas começa a apresentar problemas em 2010. Na verdade, em algumas configurações a curva de crescimento já começa a dar sinais de que o cenário está mudando muito antes de começarem as quedas, já que a inclinação de uma reta que tangencie a curva de crescimento vai mudando ao longo do ano de 2009 e, em seguida, começam as oscilações e quedas. Algumas dezenas de otimizações apresentam essa mudança na curva, enquanto outras continuam com quase mesma inclinação (sem mudança sensível) durante todo o ano de 2009, de modo que isso nos serviu de “dica” para tentar encontrar as diferenças relevantes entre estas otimizações que estariam sinalizando gradualmente a mudança de cenário, já que algumas configurações se mostram insensíveis às mudanças pequenas e, repentinamente, caem vertiginosamente quando o cenário atinge certo nível de mudança, enquanto outras configurações vão crescendo cada vez mais lentamente, até inverter e começarem a cair lentamente. Essa informação, em si, não se mostrou suficiente, mas combinada ao parâmetro que se torna positivo em 2010, fica relativamente fácil resolver o problema usando a própria curva de uma das configurações que muda gradualmente de performance como sinalizador do ritmo em que o parâmetro deve ser modificado. O resultado fica como no gráfico abaixo:
Muito bonito e, aparentemente, convincente. Mas há alguns problemas:
1) Pode ser mera coincidência que a mudança na inclinação da tangente à curva sirva, nesse intervalo específico, para sinalizar a mudança no parâmetro que se inverte com a mudança de cenário.
2) No back test é fácil usar essa curva como referência para mudar o valor do parâmetro, porque basta jogar os dados no Excel, gerar uma função por regressão e depois usar essa função na determinação do parâmetro desejado. Mas em tempo real os dados não entram no Excel. Poderia ser feito semanalmente, ou diariamente, uma análise no Excel, com esse propósito.
3) Se incluir o período de 2007 a 2010, o uso dessa função torna os resultados um pouco melhores, mas não muito melhores (não tão bons como fica no período de 2010), sugerindo que, em parte, pode ser coincidência de funcionar tão bem entre 2009 e 2010, e em parte pode ser porque de fato há relação entre uma coisa e outra.
Isso não parece ser a solução mais adequada para o problema de o Saturno não estar se saindo bem no cenário atual, mas pode ser um remendo de emergência enquanto tentamos outras alternativas.
O que pudemos apurar até o momento é o seguinte: o Saturno V 4.x, especialmente as versões 4.02, 4.07b2 e 4.3, modelam muito bem o Mercado em determinados períodos nos quais certas propriedades do Mercado se conservam aproximadamente estáveis. Quando surgem anomalias transitórias, como eventos em março de 2009 ou junho de 2009, o Saturno resiste sem grandes problemas. Mas quando ocorrem anomalias persistentes, como a crise européia, as versões 4.3 e 4.07b2 resistem um pouco melhor, enquanto a 4.02 e 5.0 enfrentam sérias dificuldades. Um dos problemas é que não se trata apenas de aumento na volatilidade, mas também de aumento na heteroscedasticidade, bem como diferenças brutais entre a volatilidade medida com base nos tamanhos dos candles e a volatilidade medida com base na dispersão das cotações. Não fosse por isso, seria mais fácil ajustar os parâmetros à nova volatilidade, e boa parte do ajuste seria feito automaticamente. O fato de haver poucos dados sobre o novo cenário também dificulta, por não haver uma amostra suficientemente grande para ser analisada e interpretada. Outro fator extremamente importante a ser considerado é que na concepção de uma estratégia, se tem em mente alguns valores “coerentes” para todos os parâmetros, e se espera que os valores otimizados fiquem próximos dos valores inicialmente estimados. Se os valores otimizados não forem semelhantes aos estimados, significa que parte da estratégia não é bem fundamentada, ou não se harmoniza com o resto da estratégia, ou pode ser simplesmente uma estimativa inicial equivocada, mas neste último caso é necessário que haja uma explicação plausível para a diferença observada, que indique que houve de fato um erro na estimativa preliminar. Na maioria das versões 3.x e 4.x, os valores otimizados para os parâmetros ficam muito semelhantes aos valores inicialmente estimados, e nos casos que diferem, geralmente há explicações objetivas e bem fundamentadas para as tais diferenças. No caso presente, conforme comentados acima, não está claro se a função usada para determinar o valor de um dos parâmetros é coerente ou se apenas coincidência de ela funcionar no intervalo testado. Por isso pode ser mais prudente não fazer o tal remendo e deixar o que sabemos que faz sentido quando o cenário se normaliza, em vez de tentar um ajuste exclusivamente empírico, que não se apóia numa teoria que explique porque tal ajuste precisa ser feito, e que teria a desagradável “missão” de ajudar um sistema bom, cuja eficiência se confirma em 10 anos de back tests, a uma situação anormal que pode levar décadas para se repetir.
A simples substituição das versões 4.02 pelas 4.3 ou 4.07b2 não é também uma boa solução porque alguns brokers computam a margem livre compensando posições de compra com posições de venda, assim se há 10 posições de venda de 1 lote de EURUSD e 8 posições de compra de EURUSD de 1 lote, alguns brokers consideram que se esteja usando 18 lotes de margem, que é o mais correto, enquanto outros brokers consideram que se esteja usando 2 lotes de margem (10 de venda – 8 de compra = 2 de venda). O problema dos brokers que compensam posições de compra e venda é que acabam permitindo abrir muito mais posições do que o nível de risco determina. Outro problema é que algumas carteiras não são grandes o bastante para o uso apropriado das versões 4.07b2 ou 4.3. Em alguns casos, o uso das versões 4.3 e 4.07b2 é possível. Em outros casos não.
Acreditamos que não temos uma solução para operar com alta performance no cenário atual, e o tempo que talvez seria necessário ao desenvolvimento de uma versão exclusivamente para um período que pode durar pouco tempo talvez não se justifique, a menos que seja versátil o bastante para ser usada futuramente em outros cenários exóticos. O uso de um “remendo” de emergência pode ser um paliativo tolerável e talvez seja implementado.
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