| Matéria sobre Forex na “Você S/A” |
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| Artigos - Investimentos | |||
| Escrito por Melao | |||
| Quarta, 13 Janeiro 2010 01:22 | |||
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Em 5/1/2010 foi publicada uma matéria em Você S/A tendo o Forex como um dos temas principais. O artigo é esclarecedor em diversos aspectos, mas necessita de pequenas revisões em alguns pontos. A seguir transcreveremos o texto original em preto e faremos alguns comentários em azul. A matéria pode ser encontrada no formato original em http://vocesa.abril.com.br/organize-suas-financas/materia/cuidado-ganhos-523682.shtml#
Cuidado com os ganhos fáceis na internet Há centenas de sites na web que oferecem rendimentos altíssimos em aplicações de câmbio e commodities. A maioria é golpe
Bruno Vieira Feijó ( Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar ) 05/01/2010
A oferta é tentadora: você aplica 1 000 dólares por meio de uma corretora sediada no exterior e ganha até 5 000 dólares em uma semana. Pelo simples fato de ter aberto uma conta, já terá como crédito um bônus de 200 dólares para começar a brincar no mercado internacional de moedas. Melhor ainda. Ao indicar amigos também interessados em obter rendimentos altos, você ganha um percentual sobre o investimento deles. Não acredita? É só baixar o software e fazer algumas simulações.
Uma das corretoras que oferece bônus de 20% (200 dólares para contas de 1000 dólares) é a Alpari, situada no Reino Unido, regulamentada e reconhecida pela FSA (Financial Services Authority), entidade equivalente à nossa CVM. Até onde sabemos, é não apenas uma corretora idônea, mas também uma das mais bem reputadas, com melhores taxas e melhores condições gerais. Não podemos assegurar que seja uma corretora totalmente correta, uma vez que a FXCM, uma das maiores corretoras e que acreditávamos ser uma das mais confiáveis, adulterou cotações e pagamentos de swaps, conforme já relatamos em artigos anteriores. Mas o que sabemos até o momento sobre a Alpari nos leva a crer que seja confiável. Portanto acho importante esclarecer que não é o fato de o broker oferecer um bônus que o torna desacreditado. É importante verificar os detalhes de como se aplica o tal bônus. No caso da Alpari, o cliente só recebe o bônus se estes 20% totalizarem um valor abaixo de determinado limite e se negociar pelo menos 200 lotes de US $ 100.000,00, o que implica pagar corretagens dezenas de vezes maiores que o bônus recebido, ou seja, tudo se resume a um pequeno desconto (geralmente menor que 10%) para quem fizer grande volume de operações e proporcionar muito lucro para a corretora em forma de corretagens. Há outros brokers que oferecem bônus em condições diferentes, e em alguns casos realmente suscitam suspeitas de fraude, devido à facilidade com que os bônus são conferidos.
Um detalhe de importância menor é que os números mil e cinco mil são representados sem espaço entre o “1” e os “zeros” ou entre o “5” e os zeros”. Pode-se usar ponto (1.000) como separador de milhar, como se faz no Brasil, ou vírgula (1,000), como nos Estados Unidos.
O dinheiro rapidamente começa a render e você até se pergunta: afinal, por que o meu gerente no banco não oferece algo parecido? A resposta muitos investidores descobrem apenas quando tentam sacar o saldo disponível: foram vítimas de uma fraude. “Não são poucos os internautas à procura de juros atraentes que topam com ofertas sedutoras de dinheiro fácil, envolvendo principalmente o forex (foreign exchange), um tipo de investimento que se faz apostando simultaneamente em moedas estrangeiras”, diz Reginaldo Alexandre, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais de São Paulo (Apimec-SP). O forex tem operações apenas pela internet. E esse é o problema. Há milhares de sites fajutos que se passam por corretoras internacionais, prometendo juros mirabolantes e simulando uma operação aparentemente perfeita.
Há vários pontos a serem discutidos sobre esse parágrafos. O fato de o Forex ter operações apenas via Internet não constitui, por si, um problema. As “apostas” em Forex são basicamente iguais às apostas em ações, commodities, opções etc. Não diria que são “apostas simultâneas”. Simplesmente se compara as cotações de uma moeda em relação à outra, do mesmo modo que se compara do ouro em relação a uma moeda, ou de uma ação em relação a uma moeda. A diferença é que se comparam duas moedas entre si. Mas não difere de outras cotações em que sempre é necessário um par. Como na Bovespa uma das partes do par é sempre o Real, na Bolsa de Nova Iorque uma das unidades do par é sempre o dólar, fica-se com a impressão de que se está comprando apenas a ação ou a mercadoria, quando na realidade se está igualmente permutando a mercadoria por uma moeda ou a ação por uma moeda. Em relação aos lucros altos, podem ser mirabolantes ou não. Ganhar 1,5% ao mês com um método mal fundamentado, pode ser ilusório, ao passo que ganhar 10% ao mês com um método que se mostra consistente e estável a longo prazo pode ser muito realista. A prática mostra que são raríssimos os casos de ganhos consistentes perto de 10% ao mês durante alguns anos, assim como são raríssimos os casos de pessoas que saltam 9 m de distância ou correm 100 m em 10 segundos. Porém existem casos assim, como Jesse Livermore, Marty Schwartz, Michael Marcus, Paul Tudor Jones.
O investidor acompanha suas aplicações em tempo real e acredita que está ganhando a maior bolada ao acertar, por exemplo, que o dólar da última quinta-feira se desvalorizou em relação ao iene japonês. Os sites chegam a apresentar vídeos explicativos e até uma seleção de notícias de agências de informações como a Reuters.
Isso que foi descrito, até onde sei, não é possível fraudar. É muito fácil acompanhar as cotações em outros brokers de referência e confirmar se aqueles resultados são reais ou não, por isso não há como um broker informar uma cotação destoante da real em alguns dias ou horas. O que alguns brokers (scams) fazem é que esticam os candles e aumentam a quantidade de ticks. Um dos brokers que usávamos para live test começou a fazer esse tipo de alteração em junho de 2008. É relativamente fácil detectar esse tipo de adulteração, quando se tem um pouco de experiência, bem como medir a quantidade de ruído introduzido artificialmente. Basta comparar com as cotações de brokers ECN para detectar o problema, e em alguns casos nem é necessário comparar. Portanto o exemplo citado, até onde sei, não encontra paralelo em situação real. O tipo de fraude que já presenciei é muito mais sutil, envolvendo pequenos alongamentos nos candles, não pagamentos de swaps, invenção de cotações durante algum tempo e depois substituição por cotações reais para apagar os vestígios, omissão/supressão de candles (isso talvez não seja propriamente uma fraude, mas uma perda de informação, já que em cerca de 50% dos casos gera lucro ao cliente pelo “erro”), entre outros. De modo a geral, as fraudes são microscópicas, não são fraudes de uma semana para outra, de um dia para outro ou de uma hora para outra. São detalhes pequenos e durante segundos.
Tudo fachada. “Em um dos casos que investigamos a empresa, cujo site dava a impressão de ser de uma corretora de Nova York, era, na verdade, de uma pessoa operando de um notebook a partir de uma residência em uma cidade do interior fluminense”, diz José Alexandre Cavalcante Vasco, superintendente de orientação e proteção aos investidores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão fiscalizador do mercado financeiro, que desde 2005 detectou mais de 100 arapucas desse tipo no Brasil.
Esse caso citado ficou famoso e é linkado inclusive na Wikipedia. Eu não cheguei a conhecer os detalhes, mas não parece ser algo tão freqüente como fazem parecer, caso contrário citariam exemplos diferentes, no entanto esse caso parece ser usado todas as vezes para ilustrar esse tipo de artigo. Conheço muitos casos de traders prestando serviços de gestão e levando os clientes à ruína, isso é o mais comum em Forex. Mas não sei dizer se isso pode ser classificado como “fraude”. Diria que se trata de baixa competência. E há casos de scam-brokers que recebem dinheiro dos clientes, mas depois não permitem sacar os ganhos, quando há ganhos. Isso é uma fraude.
Em que pese os trapaceiros de plantão, o mercado forex existe de verdade. Mas não é recomendado a investidores leigos, apenas aos especializados, como bancos e multinacionais.
O Forex, assim como qualquer Bolsa, ou qualquer atividade de risco, só é recomendável a quem esteja bem preparado. Porém os critérios para determinar quem está preparado não parecem ser consensuais. No artigo seguinte http://www.saturnov.com/artigos/4-investimentos/46-apimec sugeri aos responsáveis pela APIMEC que reformulassem os critérios para certificar quem pode ou não gerir capital de terceiros. Os critérios que sugeri talvez não sejam suficientemente rigorosos, porque estão resumidos, mas já serviriam para descartar mais de 99,99% dos incompetentes que costumam ser aprovados no modelo atual de prova utilizada. Talvez haja dificuldades práticas para se reformular o modelo de prova, enfim, não sei, mas quando se fala em “não é recomendado a investidores leigos, apenas aos especializados”, o conceito de “especializados” é bastante subjetivo e na maioria das vezes os especialistas apresentam mesma performance que os rotulados como “leigos”, ao passo que alguns poucos “leigos”, de acordo com do critérios vigentes, podem se sair substancialmente melhor do que os especializados, como os casos de Buffett e Soros, ambos sem certificação em seus respectivos países.
Na prática, aplicações em forex consistem na compra de uma moeda e a simultânea venda de outra, ou seja, as moedas são negociadas em pares. Digamos dólar e iene. “O investidor aposta em qual será a diferença entre a valorização e a desvalorização dessas moedas em determinado momento”, diz Fernando Botti, diretor da Atrattore, consultoria de ensino em investimentos, de São Paulo.
O Fernando Botti é uma das pessoas que conhece bem Forex, e não sei se a frase atribuída a ele foi realmente proferida por ele. Mas o fato é que o investidor aposta em que a proporção entre a probabilidade de uma moeda se valorizar em relação à outra até determinado ponto P1 e a de se desvalorizar até um ponto P2 é suficiente para que a quantidade de acertos multiplicada pelo ganho em cada acerto seja maior que a quantidade de erros multiplicada pela perda em cada erro (somada às corretagens e swaps). É o mesmo objetivo no mercado de ações. Não se aposta se uma ação vai subir ou cair. Neste artigo http://www.sigmasociety.com/98.htm comento sobre o problema de não se perceber sequer qual é o objetivo do jogo. Um dos motivos da popularidade do Futebol é a facilidade de entender qual é o objetivo. No Mercado Financeiro, a grande maioria que investe nem sequer sabe qual é o objetivo. O desconhecimento desse objetivo induz a muitos pensamentos incorretos, como a contratação de softwares que geram sinais de entrada, mas não de saída, assim o vendedor so produto/serviço alega que acerta mais de 99% das vezes as ações que subiram, e é verdade, porém é totalmente irrelevante acertar quais ações vão subir e mesmo acertando 99,9% das vezes se uma ação vai subir, pode-se ir à ruína. É necessário acertar mais de x% das vezes quando vai subir até certo ponto antes de cair até certo ponto de tal modo que o produto de x pelos acertos seja maior que o produto de (1-x) pelos erros somados às corretagens, emolumentos, custódia, liquidação, assinatura de software e serviços, etc., e essa diferença, mesmo se positiva positiva, só compensa se ficar acima da renda fixa, a volatilidade da carteira for baixa e por um período longo.
A vantagem para um investidor especulativo está em poder negociar com alavancagem, ou seja, tendo apenas uma pequena fração do dinheiro que seria necessário para comercializar as moedas físicas. “As margens variam entre as corretoras, mas há aquelas que oferecem até 100:1. Isso significa aplicar 1 000 dólares e apostar 100 000 dólares”, diz Fernando Botti. No caso de ganho, em que a moeda escolhida varia, por exemplo, 1 centavo para cima ou para baixo — dependendo da aposta feita —, o retorno pode atingir mais de 30% ao mês, chegando ao equivalente a 400% ao ano. Nem é preciso dizer o que acontece quando a aposta resulta num movimento contrário ao do mercado.
Algumas corretoras fora dos Estados Unidos possibilitam alavancagem de até 500:1. Nos Estados Unidos a NFA estabeleceu um limite de 100:1. Ganhar 30% ao mês não é equivalente a 400% ao ano, mas sim a cerca de 2230% ao ano.
GANHO FÁCIL NÃO EXISTE Para confundir ainda mais os incautos, há corretoras que trabalham misturando diferentes investimentos alavancados, além do forex, passando a falsa sensação de que estão diluindo os riscos do investidor ao não concentrar todos os ovos na mesma cesta.
As corretoras não trabalham com muitos instrumentos financeiros para “confundir os incautos”, mas sim para oferecer maior variedade de produtos. Um dos problemas da Bovespa é justamente ter poucas opções com liquidez negociável, deixando poucas alternativas aos traders. Na Bolsa de Nova Iorque se tem à disposição uma variedade muito maior de opções com alta liquidez. Isso não é feito para confundir ninguém, mas para atender à maior variedade de perfis de investidores, entre outros motivos.
E quando os instrumentos financeiros negociados são fracamente correlacionados, isso realmente dilui o risco (e dilui os ganhos). Dependendo da maneira como é feito, pode-se diluir o risco numa proporção maior ou menor do que se dilui os ganhos, obtendo vantagens ou desvantagens reais por meio dessa diversificação. Os contatos que tive com representantes da CVM e entidades similares me levaram a considerá-los muito corretos quanto à idoneidade, porém eles demonstraram um conhecimento sobre Forex apenas suficiente para ter uma noção do que é este mercado, e como no Brasil não há corretoras autorizadas a negociar no Forex, não estão habituados nem há necessidade de que conheçam pormenores deste mercado. No Brasil o controle da CVM é tão rigoroso e honesto que não conheço nenhum caso de corretora sob jurisdição da CVM que tenha praticado algum tipo de fraude. Sei de corretoras que prejudicaram clientes por atrasos de vários minutos na transmissão de dados e execução de operações, congestionamento no atendimento telefônico quando o home broker apresentou problema etc., mas não foram falhas intencionais. No Forex esse tipo de falha é bem menos freqüente e a qualidade dos serviços costuma ser muito melhor, porém alguns brokers intencionalmente prejudicam os clientes. Enfim, as informações sobre Forex providas por representantes da APIMEC, CVM, ANCOR, CBLC etc. podem não ser totalmente exatas porque esse mercado não faz parte dos que possuem brokers supervisionados pela CVM. Nenhum broker no Brasil tem permissão para operar em Forex e os brokers em outros países que operam em Forex estão fora da jurisdição da CVM. Por isso os integrantes da CVM não têm obrigação de conhecer Forex.
No entanto, o que acontece é exatamente o oposto. “Apostar em uma mistura de câmbio, ações e derivativos é apostar quase sempre na volatilidade, que nada mais é do que lidar com oscilações bruscas nas cotações, que podem fazer um investidor leigo dormir milionário e acordar falido”, diz Reginaldo, da Apimec-SP.
Os movimentos no Mercado não são totalmente brownianos, mas são predominantemente brownianos num nível suficiente para que se possa, com excelente aproximação, usar Black & Scholes para precificar derivativos. A similaridade entre os preços determinados por B&S e pelo Método de Monte Carlo via Cadeias de Markov possibilita saber a proporção aproximada entre aleatoridade e determinismo no Mercado, ou o quanto o mercado é browniano. Isso varia de um ativo para outro, mas em geral é acima de 80% browniano. Por isso quase sempre a diversificação implica reduzir a volatilidade da carteira, em vez de aumentar. Isso pode ser demonstrado ou corroborado de diversas maneiras. Vejamos uma forma prática e simples de conferir isso: baixe esta planilha Excel para conferir os detalhes.
O gráfico acima é um dos resultados da planilha Excel (cada vez que você abre ou altera a planilha, gera novo gráfico) e mostra 10 movimentos brownianos representados pelas linhas coloridas de 1 a 10, cada um dos quais representa a evolução de uma carteira aplicada inteira em 1 único ativo, entre um total de 10 ativos diferentes não correlacionados. A linha preta, correspondente à série 11, mostra a evolução de uma carteira aplicada de forma diluída, 1/10 em cada um dos 10 ativos diferentes representados pelas linhas coloridas. O resultado é uma volatilidade muitíssimo menor.
Isso significa que investir a carteira inteira num mesmo ativo tem probabilidade muito maior de resultar num grande ganho ou grande perda do que se distribuir a carteira em vários ativos diferentes e fracamente correlacionados, e a volatilidade da carteira é menor se tanto maior for quantidade de ativos diferentes e fracamente correlacionados entre os quais a carteira é distribuída.
Para começar, muitas dessas operações são negociadas apenas entre corretoras — nem todas de boa índole, como se pode observar —, fora da plataforma oficial e regulamentada das bolsas de valores. Tecnicamente, é o que se chama de “mercado de balcão”. “O mercado de balcão não é necessariamente ilegal. São as transações realizadas diretamente entre as partes por telefone, sistemas eletrônicos e internet. Não há uma operação centralizada, mas uma rede entre as instituições interessadas”, diz José Alexandre, da CVM. O problema é que a maior parte dos investimentos de ganho fácil não existe. “O administrador do site simplesmente pega o seu dinheiro e some, ou alega perdas por culpa da má configuração do software por parte do investidor”, diz Fernando, da Atrattore.
A frase de Fernando Botti, fora de um contexto, fica difícil de avaliar. Por isso pedi a ele que contextualize a afirmação a fim de que possamos representar com mais exatidão o que ele deve ter dito ao autor do artigo. Em breve incluiremos aqui a opinião dele com mais detalhes.
O internauta pode ainda estar fazendo movimentações ilegais. Isso porque nenhuma corretora brasileira está habilitada a oferecer o forex (pelas regras cambiais do país, não é permitido em algumas circunstâncias remeter recursos para investir em derivativos no exterior).
Esse assunto é extenso e complexo. Uma das operações ilegais consiste em enviar e resgatar fundos via cartão de crédito ou Pay Pal, porque esse dinheiro não passa pelo Banco Central. O procedimento correto, de acordo com a Lei, é via wiretransfer ou withdrawall. Porém há multidões de pessoas reclamando em fóruns sobre as dificuldades burocráticas para se enviar fundos ao exterior pelos meios legais. Para grandes volumes de dinheiro, o envio por wiretransfer é muito mais barato do que via cartão, por isso ninguém em sã consciência faria da maneira ilegal com somas consideráveis. Seria desejável, no entanto, que os bancos brasileiros fossem mais bem instruídos sobre esse tema, a fim de que desburocratizassem o processo e incentivassem as pessoas a enviar da maneira legal tanto quantias grandes quanto pequenas. O problema da ilegalidade, portanto, está na falta de informação de quem executa a operação, por não saber que o envio pelos meios legais é mais barato para quantias acima de determinado valor, e falta de informação dos bancos, que não estão preparados para orientar corretamente os clientes. O problema não está no Forex ou nas corretoras estrangeiras de Forex, que obedecem à Lei. O problema está na falta de preparo das instituições financeiras do Brasil.
Aproveitando-se disso, corretoras usam estruturas virtuais de paraísos fiscais para traduzir seus sites para diversos idiomas, inclusive português. Além disso, cooptam espécies de representantes locais, que recebem comissões para atrair investidores daquele país com disposição para aplicar dinheiro.
Até onde sei, a prospecção de clientes no Brasil para aplicar em determinada corretora requer uma certificação da CVM para o exercício dessa atividade. De fato isso parece ilegal. Porém oferecer orientação a pessoas interessadas em investir, por meio da comparação das condições oferecidas por diferentes corretoras fora do Brasil, isso não creio que envolva qualquer irregularidade. O artigo publicado em “Você S/A” traz a luz muitas informações de alertas sobre perigos e irregularidades reais, mas sem tomar os cuidados necessários para ajudar a distinguir entre os perigos reais e os ilusórios, e entre as nuances que distinguem situações regulares de irregulares. É equivalente a falar sobre todos os perigos dos automóveis, mostrar cadáveres dilacerados em acidentes de trânsito, citar números sobre a quantidade de vítimas fatais, sobre os poluentes despejados na atmosfera pelos veículos, mostrar alguns casos de pessoas que ficaram deformadas, tetraplégicas etc. após terem sofrido acidentes de trânsito, sem colocar no outro lado da balança as vantagens e benefícios que os automóveis proporcionam. Essa visão maniqueísta é muito perigosa porque dissemina pânico onde não deveria e sobre o que não deveria. Cautela, atenção, informação são necessárias em Forex, na Bolsa e na vida. Mas esse tipo de artigo propaga medo.
Não é à toa que os fóruns de discussão e redes sociais estão abarrotados de consultores supostamente entendidos oferecendo seus serviços. “A dica para quem quer aplicar em forex legítimo ou fugir de aplicações desonestas é verificar se a entidade está apta a operar com autorização das entidades de fiscalização, como CVM e Banco Central, ou similares do país de origem, como a NFA, nos Estados Unidos”, diz Reginaldo, da Apimec-SP. Em suma, nunca o velho ditado popular fez tanto sentido: “Quando a esmola é grande, o santo desconfia”.
Concordo com essa recomendação de Reginaldo. Embora algumas corretoras sem regulamentação de nenhuma entidade possam eventualmente serem mais idôneas do que outras reguladas, na maioria das vezes ocorre o contrário, portanto a sugestão é legítima.
Para finalizar, acho interessante chamar a atenção para alguns, entre os muitos truques e fraudes não foram citados no artigo de Você S/A e que constituem riscos realmente freqüentes e graves: há corretoras que atuam como as antigas bucket shops (os Market Makers), que não introduzem as operações dos clientes no Forex real, mas em vez disso operam contra o cliente, assim cada centavo que o cliente ganha significa prejuízo para a corretora. Em tais condições, o risco de a corretora praticar diversos tipos de fraudes é consideravelmente maior por haver conflito de interesses. Há também as NDD e ECN, que são corretoras que introduzem normalmente as operações no mercado real e o lucro delas é proveniente das corretagens, não precisam, portanto, operar contra o cliente, e ainda por cima é bom para elas se o cliente lucrar, pois assim o cliente se mantém mais tempo no mercado gerando corretagens para a corretora. Isso não significa que todos os market makers sejam trapaceiros, nem que todos operem contra os clientes. Há outros mecanismos de compensações internas que podem possibilitar tanto aos market makers quanto aos brokers ENC colocar os clientes uns contra os outros, ou colocar posições de clientes individuais contra bancos, como no mercado real, porém feito internamente na corretora. Portanto mesmo alguns market makers podem não oferecer riscos de fraude. Também é possível que brokers NDD ou ECN pratiquem outros tipos de irregularidades, como não pagar swaps enquanto os clientes não reclamarem o recebimento, ou informar cotações inventadas durante interrupções nas transmissões de dados que os abastecem e depois substituir os dados inventados por dados reais no dia seguinte, ou poucas horas depois, para apagar os vestígios. Há corretoras que disponibilizam plataformas e bases de dados com vícios que induzem a diversos tipos de erros. Um dos mais comuns é a remoção do botão “recalc” no Meta Trader 4, que destrói bases com dados reais que o cliente tente utilizar e em lugar delas cria bases artificiais com diversos problemas, alguns dos quais comprometem de forma decisiva a seleção feita pelos algoritmos genéticos dos parâmetros ótimos para determinada estratégia. Enfim, há muitos problemas que poderiam e deveriam constar num artigo como este, enquanto vários supostos problemas são, de certo modo, tempestade em copo d’água.
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