ja_mageia

Foi realizada uma entrevista comigo, conduzida por Luiz Eduardo Queiroz, representando o site "Conexão Professor", versando sobre Xadrez e Educação.

Início Artigos Investimentos Resultados até 31/12/2009
Resultados até 31/12/2009 Versão para impressão Enviar por E-mail
Artigos - Investimentos
Escrito por Melao   
Domingo, 03 Janeiro 2010 13:58

 

 

A maneira como o Mercado se comportou na primeira quinzena de dezembro teve conseqüências positivas e negativas. A negativa e mais óbvia é que causou perdas em todas as contas administradas por versões 4.x, nenhuma das quais ficou imune ao movimento longo em degraus, sendo que algumas sofreram perdas de quase 70%. Um dos aspectos positivos mais importantes foi que, mesmo com estas perdas, as contas mais antigas (6 meses ou mais), inclusive as de maior risco (823982, por exemplo), ainda permaneceram com lucro, e as contas de menor risco se mantiveram claramente firmes e conservam a maior parte do lucro acumulado até o momento. Entre as contas mais recentes, por terem acumulado lucros durante um período bem mais curto, foram mais afetadas. Entre as 6 contas que utilizavam a versão 4.02, houve 2 que ficaram negativas. Além disso, as 3 contas reais, que começaram justamente no pior momento possível (1/12/2009), ficaram negativas no início, mas já começaram a se recuperar e uma delas finalizou o ano +27,7% positiva. O quadro se reverteu também nas 17 outras contas, sendo que algumas das 11 contas mais antigas já estão com ganhos maiores do que estavam antes de 1/12/2009, como é o caso da 801028, que finalizou o ano com +56%, e no pior momento ficou em +39%, mantendo uma curva de crescimento estável, suave e consistente, mesmo quando as condições se tornaram mais adversas. Das 6 contas recentes com a versão 4.02, agora todas estão positivas, inclusive a pior, que havia chegado a -11%, agora está com +1%. Um balanço geral indica que todas as 11 contas mais antigas e as 6 contas mais recentes, todas sofreram, porém todas já estão no lucro. E entre as 4 contas reais, sendo 3 abertas no pior momento e 1 aberta numa situação normal, 2 estão positivas e 2 negativas, e embora as perdas nas negativas sejam maiores que os ganhos nas positivas, em poucos meses essa situação deve ser revertida, o que se pode inferir com base tanto no histórico das contas demonstrativas, em cenários típicos dos últimos meses, como com base nos backtests, cobrindo diversos cenários típicos e atípicos das últimas décadas.

 

As contas iniciadas em 1/12/2009 passaram por um momento quase comparável ao que passariam se tivessem começado antes da crise de outubro de 2008 ou do final de 1999 ou no final de 1988, um evento que ocorre poucas vezes por década. Mesmo assim, contas que estavam acumulando ganhos há apenas poucos meses já haviam lucrado o suficiente para resistir a essa situação.

 

A versão 4.07b2 está sendo testada com diferentes níveis de risco nas 4 contas reais, sendo que o esperado é que a melhor performance seja na conta maior, na qual os lotes mínimos de 0,1 podem ser abertos em maior quantidade até atingir o limite percentual da conta, possibilitando que a gestão de capital seja feita adequadamente. Embora a conta do Carlos esteja negativa em cerca de 13%, é a que apresenta melhores perspectivas a médio e longo prazo, inclusive a curto prazo, sendo esperado que esteja positiva antes do final de janeiro. As contas que apresentam real risco de ruína, por usarem versões incompatíveis com o tamanho das carteiras e forçando um risco excessivo, são a minha e a do Fausto, devido à menor flexibilidade na gestão do capital. Por outro lado são também as que podem crescer muito rápido se o Mercado se mostrar favorável. Nestas contas, a versão 4.02 pode ser usada com mais segurança nos momentos ruins, embora com menor rentabilidade nos momentos bons. Por isso provavelmente nas contas menores trocaremos a versão 4.07b2 pela 4.02, em parte por motivos psicológicos, porque seria ruim ter algumas contas reais quebrando, e com o risco atual isso pode acontecer. Não precisamos de 700% ao ano e um alto risco de ruína. Ganhos de 15% a 50% ao ano estão mais de acordo com os limites superiores que um banco espera para um fundo agressivo, com a vantagem que os máximos drawdowns ficarão muito menores que os de fundos agressivos quando configuradas com estas rentabilidades. Esse é o tipo de performance que um grande cliente institucional espera: ganhos acima de 15% ao ano e máximo drawdown abaixo de 7%, e nesse caso conseguimos abaixo de 2%.

 

Outro aspecto positivo é que à medida que ampliamos nosso histórico de resultados em diferentes cenários, favoráveis e desfavoráveis, vamos confirmando nossa opinião sobre alguns pontos e revisando nossa opinião sobre outros. Operar exclusivamente em cenários favoráveis é ruim porque dificulta estimar como seria operar condições adversas. Sob este prisma, foi muito positivo ter ocorrido essa série de perdas em todas as contas reais e demonstrativas, bem como nos back tests rodados no mesmo período, passando "no teste de fogo" por um dos piores cenários possíveis, e mesmo assim não chegou a negativar as contas com apenas 6 meses de existência, sendo que nas contas que usam a versão 4.02 não houve abalo marcante mesmo naquelas que operam há menos de 2 meses. Todas as perdas são indesejáveis, porém quando ocorrem de acordo com as expectativas, e as mesmas perdas observadas nas contas reais se reproduzem em contas demonstrativas e back tests, isso é bem mais positivo do que negativo, por validar os resultados de décadas de back tests e corroborar a acurácia nos prognósticos de longo prazo.

 

Outro ponto positivo foi constatar um fato que não era notório em back tests: a mesma versão (4.02), com mesma configuração, em diferentes contas, atua de maneira ligeiramente diferente. Para verificar esse efeito em back tests, foi necessário comparar testes com início em diferentes datas e verificar como evoluía a carteira nos intervalos comuns a todas estas contas. Os resultados, ainda que tenham se mantido muito semelhantes em balanço, fator de lucro, porcentagem de operações lucrativas etc., não coincidiam nos momentos e nas cotações de muitas das operações. Se usar contas de tamanhos diferentes, isso torna as dissimilaridades mais acentuadas e mais freqüentes. Não podemos entrar em detalhes sobre todas as causas, mas alguns dos fatores que produzem esse efeito podem ser elencados:

 

1)     O Saturno V 4.07b2, após abrir uma posição, só pode abrir outra se a cotação estiver a determinada distância (em pips) da anterior. Isso faz com que uma diferença inicial entre duas contas possa ser mantida se elas começarem a rodar em momentos diferentes. E mesmo que comecem a rodar juntas, basta que haja uma pequena diferença em determinado momento para que a longo prazo esse efeito gere uma bola de neve e depois de algum tempo as contas passem a diferir sensivelmente. Contudo, a longo prazo os balanços e demais indicadores importantes da performance acabam se equilibrando nas contas que usam igual configuração.

2)     Há um intervalo mínimo de tempo para que seja aberta uma nova operação. Isso tem um efeito semelhante ao item 1 e acentua o efeito do item 1.

3)     Os spreads são diferentes em contas da FXPro e Alpari, além de os swaps e os atrasos nas execuções.

4)     As cotações em diferentes brokers podem não ser iguais, inclusive com diferenças de candles inteiros de 1h.

5)     Há mais alguns fatores relacionados à estratégia que aumentam o efeito citado nos itens 1 e 2.

 

O importante é que foram feitos alguns testes para verificar o peso relativo de cada possível causa, e com isso conseguimos interpretar a situação de maneira apropriada, bem como dimensionar a relevância disso. O que pudemos observar é que as diferenças a longo prazo nos balanços são quase imperceptíveis, embora as diferenças nas operações individuais sejam sensíveis. Isso é muito diferente do que se observa nas versões 3.x, especialmente a 3.1415026c, que abre uma posição de cada vez, opera com pouca freqüência e não demora a fechar a posição. Nas 3.x, com estas características, os pontos de entrada e saída acabam sendo quase iguais em contas diferentes, com dissimilaridade menor que 2 pips.

 

Enfim, essas diferenças entre os pontos de entrada e saída em diferentes contas que usam mesma versão com mesma configuração, inclusive contas de igual tamanho, foram mais preocupantes do que as perdas, porque se contas iguais apresentassem resultados diferentes e fossem sensíveis ao momento em que são iniciadas de modo a influir no balanço final, ou se back tests e contas reais apresentassem resultados diferentes, isso invalidaria milhões de resultados de back tests ao longo de décadas, o que seria bem mais grave do que uma perda punctual num cenário desfavorável.

 

A sensação é de que estamos nos aproximando mais rápido que o planejado de um dos momentos decisivos: a venda da primeira licença de uso. Alguns dos resultados aparentemente ruins também contribuem para uma melhor compreensão das propriedades do Mercado, do sistema e da interação entre ambos, bem como o conhecimento de intermediadores nessa interação, como é o caso dos brokers, cujo papel é bem menos neutro do que se poderia pensar. Além das adulterações de dados praticadas pela FXCM e o não pagamento de swaps enquanto não são reclamados, observamos no broker X a ausência de 2 candles de 1h no domingo em comparação ao broker Y ou 1 candle a menos em comparação ao broker Z, o que foi positivo para nós em alguns casos e negativo em outros. Em alguns pares o broker Z aplica swaps negativos tanto em operações long quanto short, o que é absurdo. Uma curiosidade interessante (e que até poderia nos levar a pensar que fizeram a mudança especialmente para o nosso caso) é que um Market Maker que tinha spread de tamanho S, na maior parte do tempo, mudou o tamanho do spread para 2S a 3S na maior parte do tempo, algumas semanas depois que o Saturno 4.07b2 passou a ganhar consistentemente em 95% das operações. Talvez seja egocentrismo pensar que um broker mudaria as regras para se proteger contra um cliente tão pequeno, porém um Market Maker difere de um ECN também pelo fato de ter liquidez infinita, já que não atua no mercado real e tanto faz comprar 0,1 lote ou 10.000 lotes, isso não interfere nas cotações, possibilitando crescimento exponencial por tempo ilimitado. No Mercado real não é possível crescer em PG porque conforme o tamanho das operações aumenta, a sensação de liquidez vai diminuindo. Num Market Maker isso não acontece. Num ECN é muito mais difícil transformar uma conta de $100.000 em $100.000.000 do que num Market Maker. E como os Market Makers pagam o lucro dos clientes (nos ECN os clientes que perdem pagam o lucro dos que ganham), estes brokers não podem correr o risco de deixar uma conta crescer até atingir somas tão vultosas, sendo mais fácil e seguro para eles eliminar uma conta pequena, que ainda não chama tanto a atenção, do que deixar que esta conta continue a crescer indefinidamente e depois se vejam obrigados a eliminar uma conta multimilionária, ou a penhorar o broker para pagar os ganhos do cliente. São apenas conjecturas e é possível que o aumento nos spreads nada tenha a ver com isso. Mas pelo tipo de conduta que temos observados em alguns brokers até agora, eu não ficaria surpreso com mais nada.