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Melhores investimentos para 2015 e próximos anos Versão para impressão Enviar por E-mail
Artigos - Investimentos
Escrito por Melao   
Quarta, 22 Abril 2015 20:09

 

Por Hindemburg Melão Jr.

 

 

Há poucos dias, recebi uma propaganda com uma lista de recomendações de investimentos para 2015. Estas listas são basicamente iguais todos os anos, com recomendações triviais e muito longe de serem as melhores. Não havia nenhuma alternativa que oferecesse perspectivas que pudessem atingir 1/4 da rentabilidade média do Saturno, e o risco assumido em várias delas era bem maior do que o nível máximo de exposição ao risco assumido pelo Saturno. 

Não constava na lista nenhuma das alternativas mais promissoras, como o fundo Renaissance Technologies ou Hedging Griffo Verde. Nem parecia uma recomendação de investimento, mas sim uma cesta de produtos bancários que os gerentes precisam vender aos correntistas para atingir metas de vendas. 

Então fiz uma busca no Google por palavras relacionadas a “melhores investimentos” e deparei com uma grande variedade de artigos tratando desse mesmo assunto, todos repetindo as mesmas ladainhas, com pequenas variações de um para outro. Em nenhuma destas listas constavam os investimentos realmente destacados. 

Isso me fez lembrar à lista das 10 pessoas mais inteligentes do mundo, divulgada em 2014 e que foi reproduzida em vários sites, sem que tivesse passado por uma avaliação crítica razoável. Havia nomes na lista que não teriam a menor chance de constar num top-10 mundial, ou sequer numa lista top-1.000 ou top-10.000. Para agravar a situação, estavam ausentes vários dos mais fortes candidatos a figurar numa lista que tivesse a finalidade de reunir os 10 mais inteligentes vivos. Então escrevi um artigo a respeito, que pode ser encontrado clicando no link

Na lista dos 10 mais inteligentes que andou circulando pela Internet, embora 80% dos nomes listados fossem impróprios, pelo menos havia 2 nomes que eram fortes candidatos reais a constar numa lista top-10. Mas nesta lista de melhores investimentos, nenhuma das recomendações está entre os melhores investimentos. 

Se fizermos um retrospecto até 2010, e analisarmos as recomendações de investimentos que eram feitas naquela época, podemos encontrar as ações da OGX entre as principais recomendações. De lá para cá, as ações OGX dolarizadas desvalorizaram 99,88% e se as cotações forem medidas em reais, a desvalorização foi de 99,80%. 

Considerando os resultados do Saturno V, desde 18/8/2010 (quando começou a operar na conta 228847, na FXPro) até 22/4/2015, em comparação aos investimentos que eram mais recomendados pelos “especialistas” da época, temos o seguinte quadro:

  R$ US$
Saturno V 840,94% 443,31%
Imovéis 98,09% 14,38%
Dólar 73,19% 0,00%
Bovespa -19,25% -53,37%
Ouro 67,25% -3,43%
Tesouro Direito 59,51% -7,90%
Poupança 38,13% -20,24%
OGX -99,80% -99,88%

  

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Na primeira coluna temos o nome do investimento. Na segunda coluna temos a valorização (ou desvalorização) medida em Reais. Na terceira coluna temos a valorização (ou desvalorização) medida em Dólares. 

Se o ouro for assumido como referência de estabilidade, então, com exceção do capital administrado pelo Saturno, somente o dólar gerou resultados positivos nos últimos 4,68 anos. Aplicações como o Tesouro Direito e a poupança, rotulados como “de baixo risco”, estão negativos há quase 5 anos, sem contar a baixíssima liquidez do Tesouro Direto e os riscos de calote do governo, como já ocorreram com Eletrobrás, Petrobrás, Vale, Títulos da Dívida Pública etc. 

Quem seguiu estas recomendações em 2010, continua esperando pelos resultados, ou se iludindo com os ganhos nominais, enquanto sofreu prejuízos reais. Quem seguiu as recomendações em 2011, 2012 etc., e quem costuma seguir as recomendações destas revistas e sites nos anos seguintes, continuará a obter os mesmos resultados. Quando derem sorte de a bolsa subir, acabam ganhando, quer sigam as recomendações, quem apliquem aleatoriamente, que são basicamente a mesma coisa. Quando a bolsa cair, perdem.   

Como há algumas pessoas mais instruídas, com mais discernimento, ávidas por algo realmente bom, à procura de material de qualidade que trate o tema com a devida seriedade e profundidade, decidi escrever este artigo, no qual não indico os melhores investimentos, porque a CVM não me permite fazer esse tipo de recomendação (saiba os motivos). Mas exponho critérios adequados, por meio dos quais os próprios leitores podem analisar as diferentes alternativas e fazer suas escolhas. 

Antes de prosseguir, é importante ler este artigo: 

http://www.saturnov.com/artigos/347-qual-a-melhor-metodologia-para-investir

no qual desmistifico uma superstição que tem sido amplamente difundida sobre estilo, personalidade e preferências pessoais. A escolha dos melhores investimentos não depende do apetite pelo risco, não depende do estilo nem de qualquer particularidade sobre o perfil do investidor. A propriedade de ser o melhor é inerente ao investimento.

Pois bem, vamos aos critérios para escolha: vou começar listando os critérios mais importantes e depois comentarei brevemente cada um deles. 

  1. Proporção entre rentabilidade e risco.
  2. Tempo de existência.
  3. Homogeneidade histórica.
  4. Uniformidade na estratégia adotada.
  5. Discretização mínima em que o crescimento se conserva monotônico crescente.
  6. Porcentagem de operações long e short.
  7. Número de operações realizadas.

Quando se dispõe de informações detalhadas sobre o histórico de resultados, também se pode considerar propriedades como anisotropia e anisomorfismo na curva de crescimento, heteroscedasticidade na volatilidade histórica, ergodicidade observada nos padrões ao longo do tempo etc.

Quando se trata de uma estratégia automática, pode-se dispensar o item 4, já que a uniformidade é preservada inteiramente quando se usa métodos automáticos. Também se pode adicionar dois itens: extensão do histórico de backtests e similaridade entre backtests e situação real. Dependendo da similaridade, pode-se atribuir ao histórico de backtests praticamente mesmo peso do histórico real.

O ideal é equacionar todos os critérios de modo a produzir um escore que represente a qualidade do investimento, e depois aplicar esta fórmula aos investimentos que se deseja avaliar, para verificar qual deles apresenta maior escore.

Um exemplo simples é o Calmar Ratio, cuja fórmula que produz o escore é simplesmente a divisão do lucro líquido pelo máximo drawdown histórico. Assim se temos 4 investimentos:

O melhor deles, com base neste escore, é o investimento C. É importante observar que o melhor não é necessariamente o que tem maior rentabilidade (D) nem que o tem menor risco (A). O melhor é o que apresenta maior proporção entre rentabilidade e risco. Isso porque presumivelmente se pode reduzir ou aumentar a alavancagem, ou o tamanho dos lotes negociados, e com isso se pode fazer o investimento C ficar com mesmo máximo drawdown do investimento A, e neste caso o C teria maior rentabilidade e mesmo risco, portanto é melhor. Ou então se poderia fazer o investimento C ficar com mesma rentabilidade que o D, e neste caso ficaria com risco menor que o do D, portanto o C é melhor.

A ideia é correta, mas o procedimento para determinar as proporções não é tão simples. Por exemplo: quando o máximo drawdown do investimento A se torna 2 vezes maior, a rentabilidade não cresce 2 vezes, mas sim 2,3 vezes. Além disso, o lucro total de um período mais longo não pode ser tratado como se o mesmo lucro tivesse sido alcançado num período mais curto. Entre outros fatores. Para que o escore fosse eficiente, precisaria corrigir estas distorções. Portanto o Calmar ratio, embora seja uma medida razoável, apresenta algumas falhas que comprometem sua eficiência.

Outra medida um pouco melhor é o Índice de Sharpe, mas que também apresenta falhas, conforme já discutimos em 2 artigos sobre este assunto. O fato é que não existe um método perfeitamente adequado para medir a relação entre risco e rentabilidade, portanto é necessário que se desenvolva um método para isso. Em alguns artigos, apresento, até onde me recordo, 4 métodos diferentes, claramente superiores ao índice de Sharpe, índice de Treynor, Calmar ratio e qualquer outro.

Quando digo “superiores”, quero dizer que quando se aumenta ou se diminui o risco, o escore gerado pela fórmula continua representando muito aproximadamente a magnitude da variação na rentabilidade, e vice-versa. Isso é fundamental quando se deseja comparar a qualidade de muitos investimentos diferentes, ou muitas estratégias diferentes, ou muitas configurações para determinada estratégia.

Neste exemplo, tratamos de apenas 2 critérios combinados. Mas é preciso considerar vários outros critérios. Estes dois são os mais usuais, por serem os mais simples, porém há outros igualmente importantes, entre os quais o tempo de existência.

Se um fundo tem excelente índice de Sharpe, mas existe há apena 3 meses, não pode ser levado a sério, porque sua estratégia não foi submetida a uma variedade suficiente de cenários, e ela pode levar a carteira à ruína quando passar pela primeira crise severa, ou pela primeira longa congestão.

Quanto mais longo o histórico, maior é a amplitude de variação entre os cenários possíveis pelos quais a estratégia teve que passar e sobreviver, e maior é a robustez desta estratégia ao deparar com condições extremamente hostis. O Saturno V, por exemplo, foi testado no índice Dow Jones desde 1885, cobrindo 129 anos de dados históricos, passando pelas grandes crises de 1907, 1929, 1937, 1973, 1988, 2000, 2008, e atravessou todos estes momentos dramáticos sem sofrer perdas relevantes, por isso durante o “furacão” no EURCHF em 2015, quando o governo da Suíça fez mudanças que levaram várias corretoras e bancos à falência, o Saturno praticamente nem sentiu os efeitos e seguiu em frente.

O fato de os resultados dos backtests serem muito similares aos da situação real, possibilitou que o treinamento do Saturno nos 129 anos de backtest em Dow Jones o preparasse para lidar com a situação real quando eventos de perigo similar ocorressem. Isso faz muita diferença, porque embora o Saturno tenha apenas 4 anos de existência em contas reais, ele teve sua estratégia validada em 129 anos de backtests em DJI e foi otimizado em 27 anos de backtests em Forex.

Além da proporção entre rentabilidade/risco e tempo de existência, outro critério muito importante é a homogeneidade histórica. Este artigo http://www.saturnov.com/artigos/295-saturno-v-t-100-mais-novidades sobre coeficiente de homogeneidade é muito esclarecedor.

Essencialmente, a importância da homogeneidade está em distinguir investimentos que tenham sido beneficiados pela sorte, com um ganho casual muito grande, de investimentos com alta qualidade e que geram ganhos consistentes. É muito importante ler o artigo citado no link acima para compreender melhor essa situação. No artigo são comparados vários fundos e são discutidos detalhadamente alguns dos problemas envolvidos.

Quando um fundo é administrado por um gestor humano, é fundamental saber se a estratégia que ele adota atualmente tem sido a mesma ao longo dos anos. Com a crise do subprime de 2008, a crise na Grécia em 2010, o furação no EURCHF em 2015, muita coisa mudou, e muitos gestores mudaram suas estratégias. Por isso alguns fundos que estavam se saindo bem há décadas, passaram a sofrer perdas nos anos recentes por não conseguirem se adaptar às mudanças.

No caso do Saturno, a estratégia usada agora é a mesma que ele aplica desde o ano 1885, e os critérios de adaptabilidade também são os mesmos. Há constantes refinamentos nos valores dos parâmetros, mas a estrutura da estratégia não sofre mudanças fundamentais. Isso significa que o Saturno V não precisa de intervenção humana para reconhecer os novos padrões que surgem nos cenários inéditos. Seus critérios de adaptabilidade atuam automaticamente e se ajustam com base na interpolação de cenários semelhantes conhecidos. Isso garante absoluta uniformidade no método utilizado, e ao mesmo tempo confere versatilidade para reconhecer as mudanças e se adapte a elas.

A monotonicidade crescente com discretizações tão pequenas quanto possível é uma das propriedades mais desejáveis em qualquer investimento.

O que significa “monotonicidade crescente”? É um termo usado em Matemática para indicar que os valores de y numa determinada função estão sempre crescendo conforme x cresce. O crescimento não é necessariamente uniforme, mas nunca há uma decrescimento. Por isso o nome “monotônica crescente”.

Mas nos investimentos isso não existe. Sempre há alguns ganhos e algumas perdas. Então, para adaptar este conceito euclidiano às propriedades fractais, discretiza-se o histórico em intervalos mensais, trimestrais, anuais, bienais etc. Assim, quando se diz que uma determinada estratégia apresenta “monotonicidade crescente com discretização anual”, significa que esta estratégia não possui nenhum ano negativo em seu histórico. Todo ano, na data de fechamento do balanço, o valor é maior que de qualquer dos anos anteriores.

Então o conceito de monotonicidade crescente com discretizações tão pequenas quanto possível significa minimizar a duração dos intervalos negativos. O termo mais usual no mercado financeiro é “estagnação”, assim como se usa o termo “volatilidade” para representar o conceito de “dispersão”. O significado de “volatilidade”, em Química e em Física, é na verdade bem diferente, e não há uma boa analogia que justifique o uso desse termo no Mercado Financeiro. O mesmo problema ocorre com o termo “estagnação”. Informalmente, algumas vezes uso o termo “estagnação”, mas dependendo do nível de rigor do texto, dou preferência ao termo “monotonicidade crescente com intervalos discretizados” ou algo que faça sentido.

O item 5 da lista de critérios que apresentei é “porcentagem de operações long e short.” Os termos “long” e “short” indicam operações de compra (long), portanto apostando na alta, ou de venda a descoberto (short), apostando na queda. Se uma sistema de investimento opera exclusivamente long, como acontece com quase todos os fundos do Brasil, desperdiça-se metade das oportunidades de lucro, e isso também denuncia a completa falta de estratégia. Isso é basicamente buy & hold recortado.

Qual o problema disso? São vários problemas, na verdade. Um deles já comentei acima: se os pontos de entrada fossem certeiros, então operando exclusivamente do lado comprador, perder-se-ia metade das oportunidades de lucro. Mas as entradas não são certeiras, e sim aleatórias, portanto não se perda apenas metade das oportunidades lucro, como também se perde em cada movimento de queda quase tudo que se havia ganho na alta anterior, ou até mais do que na alta anterior. Outro problema é que quando o Mercado está subindo, não dá para saber se os lucros decorrem de uma estratégia eficiente ou se é pura sorte de estar sendo arrastado pela correnteza de um Mercado ascendente.

No caso do Saturno, cerca de metade das operações são short e metade são long, ou seja, ele procura tirar proveito de todas as oportunidades nas duas direções. Além de isso resultar em ganhos muito maiores, sem aumentar o risco, tem a importante virtude de evidenciar a eficiência da estratégia, quer o Mercado esteja em alta ou em baixa.

Por fim, o item 7 da lista de critérios diz respeito ao número de operações realizadas. Este item é sutilmente diferente do item 2, que trata do tempo de existência. Em geral, fundos mais antigos realizaram maior número de operações, mas nem sempre é assim. Buffett, por exemplo, faz 1 ou 2 operações a 2 ou 3 anos, enquanto Simons faz muitas operações por mês.

Quando uma estratégia faz poucas operações, fica mais difícil avaliar se os resultados obtidos se devem à sorte, porque acertar 1 ou 2 operações por sorte não é tão difícil, mas acertar 200 operações por sorte é imensamente improvável. No caso do Saturno, algumas configurações têm mais de 4.000 operações realizadas.

Comprar e segurar, e aguardar durante anos até subir, é comparativamente muito mais fácil do que realizar várias operações comprando e vendendo nos melhores momentos. Embora operar menos seja muito mais fácil, também é muito menos lucrativo, porque em vez de aproveitar os vários pequenos movimentos de alta e baixa contidos dentro de um movimento longo, acaba-se aproveitando apenas as extremidades inicial e final do mesmo movimento.

Contudo há alguns perigos neste critério, quando se trata dos HFT baseados em scalping. Os HFT (high frequency trading) tem se tornado uma febre nos últimos anos, iludindo multidões que estão sofrendo perdas substanciais com isso. Estes sistemas operam contra a tendência e costumam gerar resultados muito sedutores, a curto prazo, mas são levados à falência a médio e longo prazo. Para que tais sistemas funcionem, o Mercado precisa estar em congestão e preservar determinadas propriedades que não podem ser modeladas com acurácia. Se o Mercado dispara movimentos de tendência ou sofre flutuações caóticas na amplitude de variação das cotações, estes sistemas são levados à ruína.

Incrivelmente há fundos de porte considerável que adotam estratégias baseadas em HFT, e inevitavelmente quebrarão em poucos anos.

Portanto nem sempre o maior número de operações realizadas é algo positivo. É necessário que haja também uma grande variedade de cenários no histórico, confirmando a eficiência da estratégia em situações diferentes de tendência e congestão.

Neste artigo http://www.saturnov.com/artigos/323-ganhar-com-scalping-realidade-ou-ilusao falo sobre a ilusão de se ganhar com estratégias de scalping, e há um gráfico muito didático que possibilita enxergar com clareza o problema.

Os sistemas de scalping ou HFT não usam stop loss, ou usam stops muito grandes, enquanto os objetivos de lucro (take profit) são muito curtos. Isso faz com que seja muito improvável uma operação ser estopada, resultando em muitas pequenas operações lucrativas antes de ter a primeira operação negativa. Pode levar meses ou anos, com centenas ou milhares de pequenas operações lucrativas antes de ter a primeira operação negativa, e esta operação negativa perder tudo, ou quase tudo.

Se o stop não for muito longo, algo como 100 vezes o tamanho de cada take profit, pode ser possível suportar 2 ou 3 operações negativas sem quebrar, mas não altera a essência do problema, que é fazer “apostas” sem uma estratégia eficiente, na expectativa de que os pequenos lucros garantam uma sobrevida de alguns anos até ocorrer a primeira grande perda, ou até iniciar uma pequena série de grandes perdas. Isso permite que os gestores levem suas comissões enquanto está dando lucro, e quando começarem as perdas, o investidor se fode sozinho, mas até lá o gestor já encheu seus bolsos com suas comissões.

Nos vídeos com o Saturno http://www.saturnov.com/selecao-de-videos pode-se observar nos gráficos que representam o balanço como é o impacto de cada operação positiva ou negativa. O tamanho das operações positivas é aproximadamente igual ao das negativas, podendo ser um pouco maior ou um pouco menor. Esta é uma propriedade muito importante numa estratégia eficiente, porque permite acompanhar os resultados de várias operações lucrativas e várias negativas.

No caso de um HTF as operações positivas são muitíssimo menores que as negativas, ou simplesmente não há operações negativas dentro do intervalo considerado, mas quando ocorre a primeira operação negativa, ela leva mais que o lucro acumulado, ou até a carteira toda.

Um dos sintomas que denuncia um HFT fraudulento é ter perto de 100% de operações positivas ou perto de 100% de meses positivos. Nenhum investimento sério consegue muito mais que 62% de operações positivas, porque este é um valor otimizado (o Saturno consegue 59%), de modo que muito acima de 60% não é bom e muito abaixo de 60% também não é bom. Há configurações do Saturno que conseguem 75% a 80% de operações lucrativas, mas depois de passarem por várias otimizações, acabam estabilizando perto de 65%.

O motivo de terem 99% de operações lucrativas é que cada operação lucrativa resulta num ganho cerca de 100 vezes menor do que cada operação negativa. Assim, neste 1% de operações negativas perde tudo que havia sido ganho nas 99% positivas, e quando se computa spreads e taxas de corretagem, as perdas se tornam substanciais.

Neste artigo http://www.saturnov.com/artigos/313-estrategia-com-99-de-acertos eu comento de forma didática porque são ilusórias as estratégias com 99% de acertos. Isso também significa que quando se considera a monotonicidade crescente, deve-se descartar os casos com 100% de meses positivos se tais resultados forem produzidos por uma estratégia com quase 100% de operações lucrativas.

Enfim, estes critérios ajudam na escolha de investimentos, mas não oferecem uma solução pronta. É necessário compreender os critérios e combiná-los de modo a possibilitar a seleção e avaliação dos melhores investimentos. Quem deseja uma fórmula pronta, pode usar o índice de Sharpe, que é um dos melhores métodos entre os mais simples, ou pode pesquisar entre meus outros artigos e encontrará alternativas melhores.

Quem começou a leitura deste artigo, provavelmente queria uma indicação pura e simples, em vez de “aprender a pescar”. Conforme já expliquei, não posso dar recomendações de investimentos. Mas posso ensinar como fazer boas escolhas, que é mais útil para o investidor, porque assim você compreende porquê está fazendo determinada escolha, em vez de simplesmente seguir um conselho. Portanto, avalie a pertinência dos critérios recomendados, releia o artigo e os links recomendados, assista aos vídeos e tire suas próprias conclusões.

 

Veja também: http://www.saturnov.com/analises