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O que faz um bom negócio ser um bom negócio? Versão para impressão Enviar por E-mail
Artigos - Investimentos
Escrito por Melao   
Quarta, 01 Outubro 2014 09:52

 

Por Hindemburg Melão Jr.

 

A escolha de um negócio no qual valha a pena investir é o desafio típico enfrentado por qualquer empreendedor, e os critérios podem variar muito de uma situação para outra. No entanto, há elementos que são fundamentais em qualquer empreendimento, e servem como parâmetro para comparação entre diversas alternativas. Estes fatores podem ser divididos em dois grandes grupos: “fatores de risco” e “potencial de lucro”. Ao avaliar a qualidade de um investimento é necessário usar as informações disponíveis sobre cada negócio para estimar corretamente a relação entre risco e recompensa. Quanto mais informações úteis se tem sobre o negócio, mais precisa pode ser a estimativa sobre sua qualidade. Isso faz com que a maioria dos negócios ruins divulgue quantidades ínfimas de informação, para ocultar suas debilidades e ineficiências, enquanto os negócios muito bons oferecem abundantes informações, para demonstrar o máximo sobre suas virtudes. Por isso a própria riqueza de informações, especialmente informações técnicas e objetivas, constitui um dos critérios mais importantes para avaliação.

Os fabricantes da Ferrari fazem questão de dizer que os parafusos das rodas são de titânio, um material leve (57% da densidade do aço), com notável resistência mecânica e resistência à corrosão, portanto reúne propriedades fundamentais para maximizar a segurança e a alta performance. Os veículos que usam ligas baratas nos parafusos evitam tocar neste assunto, procurando dar ênfase aos itens que eles levam vantagem sobre os concorrentes. Produtos com padrão mais elevado apresentam uma lista numerosa de itens que podem ser apontados como superiores aos dos concorrentes, e muitas vezes a vantagem destes itens é sutil e requer conhecimentos técnicos para que se possa perceber sua importância. Se a pessoa já conhece a fama da Ferrari, ela deduz que a escolha do titânio para seus parafusos é porque o titânio oferece algum tipo de vantagem, de modo que mesmo sem saber os motivos técnicos, a pessoa acaba interpretando como um diferencial. Mas se esta pessoa depara com um carro de marca nova, ainda desconhecida, que utiliza carbino em seus parafusos, e outros novos materiais em cada um de seus componentes, a pessoa sem conhecimento técnico fica impossibilitada de avaliar, e acaba preferindo a Ferrari, por ser uma marca mais tradicional.

O carbino é um material superior ao grafeno e muito superior ao titânio, em termos de resistência à corrosão, resistência à tração e baixa densidade. Mesmo que todos os componentes do novo veículo sejam superiores aos da Ferrari, e a integração destes componentes produza resultados superiores, se a pessoa não tiver conhecimentos técnicos para julgar, não terá como reconhecer estas qualidades e fará a escolha errada, e manterá sua escolha errada durante anos, até que a nova marca se torne famosa, demonstrando sua superioridade aos concorrentes nas pistas e nos testes. Então todos saberão disso, e já não haverá nenhuma vantagem competitiva de saber algo que todos já sabem, porque a esta altura os preços da “nova” marca, que já não será tão nova, estarão acima do da Ferrari, Bugatti e outras, porque terá deixado de ser uma nova marca e se tornado uma referência mundial a ser imitada pelas outras.

O que faz de um visionário ser o que é, muitas vezes não está relacionado a seu conhecimento, mas sim à sua intuição e coragem. Ele fareja bons negócios, ele sente que há uma grande oportunidade e precisa ser explorada enquanto é boa, enquanto é barata, enquanto há extraordinárias perspectivas de crescimento, antes que a oportunidade se torne tão óbvia que a multidão de interessados impulsione seu valor a níveis inalcançáveis. Se tiver um conhecimento técnico pelo menos parcial, isso ajuda muito no julgamento.

Se há centenas de artigos analisando, com profundidade, diversas propriedades de determinado produto, e são artigos públicos, sujeitos a crítica de especialistas que poderiam apontar falhas nos argumentos e nas análises, isso é um forte indício de alta qualidade. Não há como escrever bons artigos sobre produtos ruins e enaltecer qualidades que não existam. Por isso o critério baseado no volume de informações sobre um produto acaba sendo importantíssimo, pois permite reconhecer o elevado padrão numa marca que ainda não se tornou famosa, antecipando-se a outros investidores de visão limitada, que estão igualmente ávidos por excelentes empreendimentos, mas que só conseguem enxergar o óbvio quando está um palmo à frente do nariz.

A abundância de informação também acaba sendo uma faca de dois gumes, porque se o volume de detalhes disponíveis excede certos limites, o investidor interessado acaba se perdendo ou até se desmotivando da leitura integral. Este é um dos motivos pelos quais foram redigidos o “Resumo do site”, o artigo para a revista RAE-FGV e agora este novo artigo que dá uma abordagem menos técnica. Se somar o material acessível a sócios, a visitantes registrados e a visitantes não-registrados, há mais de 270 artigos sobre o Saturno, cada um com 5 a 10 páginas. É um volume demasiado para que possa ser inteiramente absorvido e processado por pessoas com pouca disponibilidade de tempo.

Em geral, os investidores querem dedicar poucos minutos à análise do negócio, e esperam encontrar uma síntese com as principais informações que contribuam para sua decisão. Até o momento, quase todos os sócios leram todos os artigos do site, quase todos os sócios são profissionais de Exatas ou de algum modo interessados em Exatas. Mas há um número considerável de outros potenciais clientes que precisamos atingir, que não são das áreas de Exatas, para os quais o tema deve ser abordado sob um ângulo diferente. No texto http://www.saturnov.com/investidores a abordagem é justamente esta, num formato curto, objetivo e menos técnico.   

No presente artigo, temos um complemento ao texto citado acima e a um artigo anterior sobre investimento em imóveis, no qual foram analisadas as reais perspectivas de lucro de se investir no setor imobiliário, além de fazer algumas distinções importantes entre investir em construção civil e investir em imóveis, demonstrando que, diferentemente do que muitos imaginam, investir em imóveis também é um investimento de risco, com o detalhe que o risco é menos visível. Além disso, a ilusão de grandes lucros com imóveis é refutada num artigo com um estudo de mais de 100 anos de evolução de preços de imóveis, no qual se verifica que a valorização real média é perto de 1% ao ano. Aqui faremos um análise semelhante, comparando outras formas de investimentos e novamente desmistificando algumas crenças infundadas.  

De acordo com estudos do IBGE, em 2010 cerca de 48% das novas empresas foram à falência em menos de 3 anos, e mais de 91% quebram antes de completar 10 anos. Além disso, segundo matéria publicada n’O Estado de São Paulo, em outubro de 2013, 99% das empresas brasileiras que entram em concordata, acabam evoluindo para a falência. http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,so-1-das-empresas-sai-da-recuperacao-judicial-no-brasil-imp-,1085558. Embora estes números sejam alarmantes, em franquias o risco de falência é muito menor. De acordo com o Sebrae, 80% das empresas fecha em menos de 5 anos, mas a taxa de falência das franquias com menos de 5 anos é menor que 15%. Isso faz com que a ideia de ter uma franquia seduza muitas pessoas, pois permite comprar o direito de usar um modelo pronto, que já foi testado, contou com boa aceitação do público e, apesar dos custos maiores a serem pagos aos detentores do copyright, recebe-se um valioso know-how que traz muito mais vantagens do que desvantagens.    

Uma franquia difere de um negócio individual pela robustez da estrutura da qual ela faz parte. O Zé da padaria abriu o próprio negócio e administra ao estilo dele, trata os clientes e funcionários ao jeito dele, não contrata especialistas em diferentes campos para otimizar “detalhes” envolvendo a decoração, uniforme, treinamento de funcionários etc. Enquanto o João, que abriu uma franquia do Habib’s, segue o padrão do Habib’s em termos de decoração, atendimento, preços, fornecedores etc. O Zé está fazendo um teste, para saber se seu jeito de fazer as coisas tem chances de funcionar, enquanto o João sabe que aquele jeito de fazer as coisas funciona, porque já foi testado durante décadas e está confirmado que, se o mundo e as pessoas continuarem aproximadamente como tem sido nas décadas recentes, sem grandes mudanças, então o método continuará a funcionar. Além disso, mesmo que o mundo mude e as pessoas mudem, a marca é suficientemente bem equipada para se adaptar às mudanças no perfil dos consumidores, e realiza constantemente pesquisas de mercado para se manter atualizada, evoluindo conforme as exigências dos clientes. Neste cenário, os franqueados também se beneficiam com esta estrutura de constante renovação.  

Então as franquias são realmente negócios mais seguros, apesar de oferecerem um retorno muito baixo em comparação ao investimento que exigem. Além disso, muitas franquias tentam mascarar fatos importantes que o investidor precisaria conhecer para poder avaliar corretamente. Numa conversa com o amigo José Celso, ele comentou que o ROI da maioria das franquias não leva em conta luva e reforma do ponto, entre outras despesas, portanto as projeções de prazo para recuperar o capital aplicado são distorcidas. As franquias, segundo o jornal OESP, também costumam informar o faturamento, em vez de informar o lucro líquido. Quando a pessoa adquire uma franquia, ela precisa contratar funcionários ou ela própria precisa dedicar seu tempo ao negócio, portanto precisa subtrair os ganhos que ela teria se estivesse dedicando o mesmo tempo a outra atividade ou considerar os custos com funcionários, os riscos de processos trabalhistas etc. Boa parte destes itens são negligenciados e a pessoa só percebe que o negócio é muito menos lucrativo do que parecia depois que já está dentro.

Mas existem alternativas melhores? Para responder a isso, precisamos compreender um pouco melhor o que faz com que a média das franquias seja superior à média dos pequenos novos negócios. Existem serviços e produtos cujos valores não dependem do tamanho da empresa que os adquire, tais como o logotipo, a decoração padrão, pesquisas de mercado etc. Tanto faz se a empresa possui 1 ponto comercial ou 10.000 pontos comerciais, ela usará o mesmo logotipo em todas as unidades. Isso faz com que o custo da contratação de determinados serviços seja relativamente baixo para grandes empresas, porém é muito caro para as empresas pequenas.

Isso faz com que a diferença total seja muito significativa a favor das grandes empresas. Assim, companhias de maior porte acabam tendo acesso a produtos e serviços que incrementam sua qualidade e sua aceitação junto aos consumidores, e pagam relativamente pouco por isso, mas estes mesmos produtos e serviços teriam preços inviáveis para empresas menores. Isso nos leva a concluir que, mais vantajoso do que abrir uma franquia de uma grande marca, seria abrir franquias de corporações gigantescas, como Google ou General Electric, que podem contratar uma gama mais ampla de serviços. Embora estas empresas não ofereçam exatamente a possibilidade de se tornar franqueado, elas abrem capital na Bolsa e permitem que os investidores se tornem sócios.  

Há diferenças importantes entre se tornar sócio e se tornar franqueado. Não há uma regra geral que seja ao mesmo tempo simples e eficiente para determinar quando é melhor ser sócio e quando é melhor ser franqueado, porque isso depende de uma série de particularidades sobre cada empresa e cada marca, depende da economia mundial e nacional, das políticas de importação e exportação, depende do setor de atuação de cada empresa, da época em que o negócio será realizado, entre outras variáveis. Por exemplo: em 2002 seria mais vantajoso se tornar sócio/acionista da Petrobrás do que franqueado da Boticário, mas se analisasse estas mesmas empresas, com os mesmos critérios, em 2008, seria o contrário, ou seja, em 2008 seria mais vantajoso se tornar franqueado da Boticário do que sócio da Petrobrás. Quem comprou Petrobrás em setembro de 2002, ganhou 1061,91% até maio de 2008, mas quem comprou Petrobrás em 2008 perdeu 68,79% em poucos meses, e continua negativo até hoje, 6 anos depois. O Mappin gerou muito lucro nos anos 1970 e 1980, mas quem abriu franquias do Mappin no final dos anos 1990, perdeu dinheiro.

Tanto faz se a aplicação é na abertura de uma franquia ou na compra de ações de uma empresa, o fato é que as mesmas empresas, em épocas diferentes, podem oferecer perspectivas completamente diferentes. Portanto, além de escolher o negócio certo, é necessário que a escolha seja feita no momento certo. Comprar Google em 2014 não é muito melhor nem muito pior do que comprar ações de qualquer outra grande empresa. Mas comprar Google em 1997 multiplicou imensamente o patrimônio de quem teve a percepção do potencial daquele pequeno negócio.

Comparando as principais franquias com as principais empresas de capital aberto na Bolsa, podemos constatar que, na maioria das vezes, as grandes empresas são administradas por profissionais muito bem credenciados, e há uma estrutura capaz de avaliar constantemente o desempenho de seus executivos, colaboradores, fornecedores, bem como substituí-los, caso não estejam atuando conforme as expectativas. Isso faz com que uma grande empresa tenha maiores chances de sobreviver por décadas, enquanto as franquias geralmente não contam com um nível equivalente de profissionalismo. De acordo com Lyana Bittencourt, em artigo publicado na revista Exame (http://exame.abril.com.br/pme/noticias/nao-basta-ter-dinheiro-para-investir-em-uma-franquia ) , o franqueado precisa ser um bom gestor administrativo, comercial e de pessoas. Por melhor que seja o treinamento relâmpago que o franqueador oferece ao franqueado, isso não substitui os anos de estudo e experiência de um gestor profissional contratado por uma grande empresa. Pode acontecer de o franqueado ter talento para isso e o talento compensar um pouco a falta de conhecimento e experiência, mas nas grandes empresas são contratados profissionais que reúnem todos estes quesitos: muito talento, muito conhecimento e muita experiência. Por isso é que as franquias apresentam uma taxa de falência de 15% em 5 anos, enquanto as megacorporações apresentam taxa menor que 1%. Isso significa que investir em ações é muito mais seguro do que investir em franquias. Além disso, há duas outras vantagens de se investir em ações: a liquidez é muito maior e a demanda por tempo a ser dedicado ao negócio é muito menor.  

Uma franquia tem baixíssima liquidez, de modo que se o negócio começa a ir mal, a pessoa não consegue vender em poucos dias, semanas ou meses, e seus prejuízos podem se arrastar por longo tempo. Em contrapartida, se depois de comprar determinada ação houver motivos para supor que a empresa está mal e o valor das ações tende a cair, um lote de ações pode ser vendido facilmente em poucos segundos, reduzindo os prejuízos a um nível mínimo. Este é mais um fator que torna o investimento em ações muito menos arriscado do que investir em franquias, porque é mais fácil e rápido sair do negócio, caso não se mostre lucrativo.

Outra diferença importante é a demanda de tempo. A franquia precisa de que o franqueado dedique pelo menos 44 horas semanais com portas abertas e cerca de 10 horas semanais com as portas fechadas, ou precisa contratar funcionários para isso. Já o sócio/acionista não precisa dedicar tempo ao negócio, ficando a seu critério comparecer ou não às reuniões para votar sobre as deliberações, não precisa se preocupar com seleção de funcionários, contratação, demissão, processos trabalhistas, atrasos de fornecedores, reformas, manutenção etc. O sócio/acionista apenas compra as ações e fica recebendo dividendos (se for política da empresa pagar dividendos), e quando vende as ações, recebe o lucro (se as ações tiverem se valorizado). Portanto, investir em ações de boas empresas em momentos promissores acaba sendo um negócio mais vantajoso e menos arriscado do que investir em franquias.    

Vimos que investir em franquias é, na maioria das vezes, mais seguro do que “inventar” seu próprio negócio. Em seguida, vimos que investir em ações de boas empresas, nos “momentos certos”, é melhor do que investir em franquias. O grande desafio está na dificuldade para identificar o “momento certo”. Entre 2002 e 2008, a Petrobrás gerou um lucro médio de 54% ao ano para seus investidores, mas quem poderia saber o momento ideal para comprar e para vender, de modo a obter estes ganhos de 54% ao ano? A resposta a esta pergunta teria um valor inestimável, porque sem saber os momentos certos, os lucros são muito menores.

Se considerar um período arbitrário, entre 3/1/2000 e 22/9/2014, por exemplo, a Petrobrás gerou um lucro líquido nominal para seus investidores de 8,89% ao ano, muito menor que os 54% ao ano entre 2002 e 2008. Ao descontar os 15% sobre ganho de capital, restam 7,56% ao ano, e ao descontar a inflação INPC, que foi, em média, de 6,62% ao ano, o lucro real foi de 0,88% ao ano entre 2000 e 2014. Menos de 1% ao ano de lucro efetivo. Portanto, comprar ações de uma empresa e segurar, significa acompanhar os altos e baixos daquela empresa, e os ganhos reais nestas condições ficam perto de 0, servindo apenas para corrigir monetariamente o dinheiro perante os efeitos corrosivos da inflação. 

Se houvesse alguma maneira de saber, com boa taxa de acertos, quando uma ação vai subir e quando vai cair, seria possível comprar a ação quando ela está subindo, vender quando está mais cara, comprar novamente quando estiver barata, e assim sucessivamente, com lucros muito maiores. O Saturno V faz melhor que isso, porque executa milhares de operações por ano (cerca de 350 operações não redundantes). Isso é mais vantajoso do que comprar em 2002 e vender em 2008, porque ao longo destes 6 anos, os preços subiram e caíram muitas vezes, sendo muito mais vantajoso tirar proveito destas várias subidas e quedas do que aproveitar apenas uma. Além disso, o Saturno não apenas fornece estas informações com 59% de acertos, como também executa as operações automaticamente, sem necessidade de qualquer intervenção humana.

O Saturno V permanece conectado 24h por dia, 5 dias por semana, monitorando o Mercado em busca de eventos que prenunciem assimetrias nas probabilidades de os preços seguirem em determinada direção. Quando ocorre uma situação que indica que a probabilidade de os preços subirem é maior do que a probabilidade de caírem, ele passa a realizar uma série de cálculos de confirmação e submente este ativo a vários testes, para conferir se o comportamento previsto para os próximos minutos se mantém. Em caso afirmativo, ele entra comprando. Após a compra, em questão de milésimos de segundo, ele coloca uma ordem de stop loss para proteger aquela posição e, se o movimento for contrário às expectativas, a perda fica limitada a um valor otimizado (geralmente 4,5% a 7,5%). Feito isso, ele passa a administrar esta operação com base numa refinada estrutura orgânica de critérios, inclusive adaptando seus critérios a cada nova mudança de cenário. Prossegue assim até que seja atendido algum critério para fechar a posição, então ele novamente faz isso de forma automática, fecha a posição e volta a monitorar o Mercado em busca de novas oportunidades.

A descrição em apenas 1 parágrafo faz isso parecer muito mais simples do que realmente é. Na verdade, os 270 artigos do site ainda fazem parecer muito mais simples do que é. Quando se examina um gráfico de cotações, pode-se ter a ilusão de que seja fácil resolver o problema de determinar os momentos ótimos para comprar e vender. Este pensamento leva multidões de pessoas a tentarem ganhar dinheiro com investimentos, e depois de sofrerem duras perdas, acabam descobrindo que o problema é muito mais difícil e mais complexo do que elas imaginavam. Poucas pessoas no mundo conseguem obter lucros consistentes no Mercado e se manterem positivas a longo prazo. Quem se dá por satisfeito com a prática de Buy & Hold (comprar e segurar), consegue ganhar perto de 1% ao ano, mas quem tenta comprar e vender nos momentos que acredita que sejam os certos, quase sempre acaba negativo. 

Em meados de 2005, eu acreditava que as pessoas que diziam ganhar com ações estivessem de fato ganhando. No final de 2006, quando comecei a desenvolver sistemas automáticos e testar milhares de estratégias, com milhões de configurações diferentes, ficou evidente que aquelas pessoas estavam completamente iludidas (ou mentindo), porque o problema é incomparavelmente mais difícil e mais complexo do que as ideias simplórias que elas diziam utilizar para prognosticar o comportamento dos preços. Qualquer pessoa pode verificar isso por si mesma, usando uma plataforma para backtests e uma série histórica de cotações de boa qualidade. Basta implementar a estratégia que acredita ser vencedora e verificar como ela se comporta nos dados históricos de pelo menos 10 anos.

Todas as estratégias de que tomei conhecimento, recomendadas em livros, sites e cursos, se mostraram perdedoras. Nenhuma sobreviveu por mais de 5 anos em dados históricos e a maioria não resiste sequer por alguns meses. Além disso, no site da MetaQuotes pode-se fazer o download de mais de 1.000 sistemas automáticos prontos, baseados nas estratégias mais famosas. Alguns destes sistemas incorporam aprimoramentos nestas estratégias, para tentar salvá-las, mas mesmo assim não funcionam. Isso é compreensível e, de certo modo, é bastante óbvio, porque as poucas pessoas no mundo que conseguem desenvolver uma estratégia que de fato funcione, não vão compartilhar gratuitamente, não vão ensinar num livro nem num curso, nem vão disponibilizar para download gratuito.  

James Harris Simons, professor de Matemática em Harvard e no MIT, especialista em criptografia e quebra senhas, autor de trabalhos premiados internacionalmente, foi um dos primeiros a encontrar uma solução eficiente para modelar o Mercado Financeiro e obter lucros de forma consistente. Em 1982, passou a usar sua estratégia automatizada no fundo Renaissance Technologies, obtendo rentabilidade média em torno de 70% ao ano. Mesmo após descontar suas taxas draconianas (5% de taxa de administração e 44% de taxa de performance), ainda resta um lucro líquido em torno de 35% ao ano para seus clientes, bem acima dos concorrentes Soros e Buffett.

Numa reportagem de 2007, constava que a aplicação mínima para ser investidor no Renaissance Technologies era 20 milhões de dólares. Simons administra também outro fundo, ainda melhor: Medallion, mas este é exclusivo para ele, seus investidores mais antigos e seus funcionários. Seu segundo melhor fundo é inacessível à maioria das pessoas e o seu melhor fundo é ainda mais exclusivo.

O fundo de Simons começou pequeno, mas atualmente conta com 20 bilhões de dólares sob sua gestão. O mesmo ocorreu com muitos outros grandes negócios, que um dia foram pequenos e acessíveis. Em 1997 e 1998, o Google foi oferecido para venda para a Microsoft, para o Yahoo e para o AltaVista. Larry Page queria 1 milhão de dólares pelo Google, uma ninharia, especialmente em se tratando de um produto com grande potencial. No entanto, ninguém teve interesse. Cerca de 15 anos depois, o Google valia $ 250 bilhões. É divertido ficar imaginando a fisionomia dos que fizeram pouco do Google, especialmente os altos executivos do Yahoo, quando viram as proporções que tomou aquele pequeno empreendimento, que se tornou um concorrente superior, mas poderia ter sido um aliado.

De acordo com David A. Vise, em seu livro “The Google History”: 

Seated in Palo Alto's Mandarin Gourmet restaurant in March 1998, Page and Brin prepared to pitch Paul Flaherty, a Stanford Ph.D. and an architect of AltaVista, on the merits of their superior search engine technology. AltaVista, they hoped, would pay as much as $1 million to get access to the soon-to-be-patented PageRank system. Brin and Page would then be able to resume their studies at Stanford.

With the help of Stanford professors and the Office of Technology Licensing, Brin and Page tried unsuccessfully to sell their PageRank system to Excite and other search engines.

Yahoo, seemingly a logical buyer because it relied on directories edited by people and didn't have a fast way to scour the entire Internet, also turned down the chance to buy or license the Google technology.

In part, Yahoo rejected it because the firm wanted computer users to spend more time on Yahoo. The Google search engine was designed to give people fast answers to their questions by swiftly sending them to the most relevant Web site. The Yahoo directories were designed both to answer questions and to keep people on the Yahoo site, where they could shop, view ads, check their email, play games, and spend more money and time, rather than less.

Isso não acontece apenas no mundo dos negócios. Isso é um comportamento comum para a maioria das pessoas, portanto ocorre em todas as áreas. Um dos exemplos mais notáveis ocorreu com Einstein. Em 1914, ele enviou cartas a vários astrônomos, falando sobre a necessidade de se fotografar a posição acurada de estrelas nas imediações do disco solar durante um eclipse total, para que se pudesse medir o desvio na trajetória da luz provocado pela massa do Sol, e explicou que tal resultado revolucionaria o compreensão que se tinha sobre a Física. A resposta foi o silêncio. Einstein foi sumariamente ignorado, e alguns chegaram a responder que estavam muito ocupados com assuntos mais importantes. A situação se repetiu em mais de uma ocasião. Finalmente, em 1918, houve a primeira corroboração de sua teoria e os resultados foram amplamente divulgados.

altNenhum destes “pesquisadores” foi capaz de compreender o conteúdo e nem sequer reconhecer a importância da obra de Einstein, mas depois que Einstein já estava amplamente reconhecido pela mídia e era uma autoridade mundial, vários destes pseudopesquisadores se mobilizaram para empreender uma viagem à Austrália e observar o eclipse de 1919, e se tornaram vários anônimos contribuindo para a consagração de Einstein. Naturalmente os nomes desta multidão nem chegaram a ser citados, mas o primeiro que se interessou desde o início, Erwin Finlay-Freundlich, foi citado várias vezes e sempre será lembrado. (Um vídeo que, apesar de alguns erros técnicos e erros de tradução, vale a pena ser assistido, por suas curiosidades históricas e relatos comoventes , está no link ao final deste artigo).

Mas, afinal, o que faz de um bom negócio ser um bom negócio? E a resposta é muito simples: os negócios não brotam no jardim, não nascem espontaneamente, mas são criados e conduzidos por pessoas. Portanto a qualidade dos negócios depende da qualidade das pessoas que estão por trás. No site Angels Floripa, que reúne empreendedores de sucesso interessados em aplicar em novos negócios, consta uma frase bastante interessante e realista: “Lembre-se (de) que é mais fácil consertar uma ideia ruim com uma equipe fantástica do que (ter) uma excelente ideia, mas com uma equipe medíocre.” Estes investidores procuram por negócios novos que apresentem excelentes possibilidades de crescimento, criados por pessoas talentosas e que tragam algum tipo de inovação ou aprimoramento significativo. Em vez de fugir do risco, como faz a maioria das pessoas, os homens de visão enfrentam os desafios e estão dispostos a assumir riscos calculados, procurando administrar o risco e selecionar os negócios nos quais a perspectiva de lucro é maior que a probabilidade de perda, e apostam na elevada competência da equipe como o recurso mais valioso que uma empresa pode ter.

Quando Romolo Disconzi entrou no negócio do Saturno, ainda não tínhamos realizado testes em contas reais, mas ele justificou seu interesse com a seguinte declaração: “eu não sei se o Saturno funciona no estágio atual, mas sei que, se não funcionar, o Melão é uma das poucas pessoas no mundo que conseguirá dar um jeito de fazer com que funcione.”    

A aposta do Romolo foi interessante, ele se graduou quase Summa Cum Laude (todas as notas acima de 9,5) no curso de Administração da UFRGS, por isso é natural que enxergue à frente da maioria. Na estimava dele, mesmo que o negócio não estivesse maduro naquele momento, seria questão de tempo até que se tornasse um dos melhores negócios do planeta. Mas quantas pessoas enxergam dessa forma? Bem poucas. A maioria tem basicamente o mesmo padrão de conduta: medo do desconhecido e propensão a seguir as massas. A mediocridade é quase unânime neste pensamento: se não conseguem compreender um negócio, deve ser ruim. E se muitos estão entrando num outro negócio, então deve ser bom. É esse tipo de mentalidade que separa os poucos vencedores das multidões de perdedores e fracassados. Por isso é que menos de 2% das pessoas que chegaram a se interessar pelo Saturno acabaram de fato entrando, porque para entrar foi necessário ter visão e enxergar o que maioria não conseguia, foi necessário ter coragem para investir num projeto que estava iniciando, reconhecer perspectivas fantásticas onde a maioria só conseguia enxergar riscos, ter garra e coragem para enfrentar os momentos difíceis nas etapas iniciais, dificuldades burocráticas diversas e uma série de desafios que ainda não estão inteiramente superados. Os que preencheram a estes quesitos entraram e estão desfrutando os lucros. Alguns ainda não estão lucrando porque não começaram a investir, ou começaram justamente em 2013, numa fase ruim, e só agora estão voltando a ficar positivos, mas o investidor mais antigo, André Gâmbaro, tem obtido ganhos consistentes desde 2010.  

Entre 18 agosto de 2010 e 10/6/2014, as versões 6 (e posteriores) do Saturno V haviam acumulado um lucro dolarizado de 274,31%. Se o lucro for calculado em Reais, chegou a 375,66%. Isso representa um retorno anual médio de 41,39% a.a. (em dólares) ou 50,56% a.a. (em reais). Significa que um investidor que tivesse aplicado R$ 1.000.000 sob gestão do Saturno em agosto de 2010, se as performances em sua conta fossem iguais às da conta de André Gambaro na FXPro, ele teria recuperado integralmente seu investimento inicial de R$ 1.000.000 e estaria com lucro de R$ 2.756.600,00. Em contraste a isso, quem tivesse aplicado o mesmo valor de R$ 1.000.000 numa franquia que rendesse R$ 10.000 líquidos mensais (12% ao ano), teria recuperado R$ 460.000 nestes mesmos 46 meses, portanto menos da metade do valor aplicado, e ainda teria mais 4 ou 5 anos pela frente até recuperar o investimento.

O Saturno V não é um negócio comum, não foi desenvolvido por uma pessoa comum e não tem seu valor devidamente reconhecido por pessoas comuns. O Saturno é um trabalho que alcançou o estado de Arte, é um dos melhores negócios que existe, talvez o melhor. Nos últimos anos, o Saturno alcançou um estágio um pouco acima do que estava o Google em 1997, e deve ter potencial de crescimento semelhante ao que tinha o Google em 1997, talvez mais, já que o Saturno V atua no Forex, o maior mercado que existe, com liquides muito maior.

O Saturno V já não está mais aberto a novos sócios. Quem aproveitou enquanto podia, está dentro e protagonizará esta história nos próximos anos. Os demais ainda podem acompanhar como espectadores. Mesmo entre os sócios do Saturno, poucos aproveitaram a oportunidade no melhor momento. A maioria ficou hesitante e deixou para depois, alguns acabaram entrando em condições menos vantajosas do que os primeiros sócios. Só Eduardo Both teve a condição mais privilegiada, e merecidamente, porque entrou alguns minutos depois que foi anunciado no site de Sigma que o Saturno seria fracionado e estaria aceitando sócios em meu sistema. Mas a maioria teve uma reação bem mais lenta. Mais de 1.000 pessoas manifestaram interesse em algum momento, mas menos de 30 fecharam negócio. E quase todas estas que fecharam, levaram meses analisando antes de decidir, em parte porque quando decidiam, o preço já estava duas vezes maior, já que o preço era corrigido pela própria gestão do Saturno, então desistiam de novo. 

Em 2005, um amigo desenvolvedor de softwares deixou de fazer uma sociedade meio a meio comigo, no desenvolvimento de sistemas automáticos. Em 2009, este mesmo amigo comprou 0,01% de participação no Saturno V, e foi um dos poucos que não entrou inicialmente, mas algum tempo depois revisou sua decisão e acabou participando. Em 2008, duas pessoas deixaram de participar do Saturno para investir em Vale5 e Petr4. Uma delas voltou a manifestar interesse em 2010, mas como o valor estava muito maior, acabou desistindo novamente. Em 2011, uma pessoa preferiu OGX(!) em lugar do Saturno. Após duras perdas com OGX, retornou em 2013, pleiteando as mesmas condições que estavam sendo negociadas em 2011, mas para mim isso não era razoável, além de eu não me sentir minimamente motivado a facilitar para alguém que preferiu outro negócio naquela época.    

Embora poucos tenham relatado as alternativas que estavam analisando, creio que a grande maioria que não entrou, acabou fazendo alguma outra aplicação. Estimo que geralmente fizeram as aplicações “da moda”, perdendo com Vale em 2008, OGX em 2011 etc. Dois representantes de uma cooperativa, com $ 3,7 milhões para investir, também estiveram interessado em 2011. A pessoa que me procurou disse que a cooperativa havia sofrido perdas de 70% nas aplicações anteriores, com a crise de 2008, e queria aplicar no Saturno para tentar recuperar estas perdas nos próximos anos. Fizemos uma reunião em São Paulo, e eles também se reuniram com representantes de outras alternativas de investimentos. Expus as características do Saturno, e um dos rapazes da cooperativa se mostrou entusiasmado, enquanto o outro se mostrou cético e comentou que havia conversado com o gestor de um fundo que disse que não podia prometer nada, mas que faria o possível para superar o CDI. Eles disseram que apresentaram as alternativas que pesquisaram aos demais membros da cooperativa, creio que um deles defendeu a escolha do Saturno e o outro não.

No final, ao que parece, optaram por este fundo do rapaz que disse que lutaria para tentar superar o CDI, e assim a cooperativa perdeu outros 25% nos 3 anos seguintes, enquanto o Saturno lucrou mais de 200% no mesmo período. Um resultado muito justo para quem aprecia a mediocridade e foge da excelência. O fato de minhas projeções terem sido muitíssimo acima das expectativa dele não significa que fossem menos sinceras. O representante do fundo que eles escolheram, assim como eu, reconheceu seus próprios limites e seu potencial, com a diferença que o potencial dele era muito menor. Os representantes da cooperativa optaram pelo potencial menor. É como diz a história de Mário Quintana http://www.saturnov.com/artigos/286-a-lampada-de-aladim.  

Mas houve também casos de pessoas que agiram ao contrário, como Rodrigo Gossman, que resgatou seus investimentos no fundo Sparta, que estavam rendendo perto de 40% ao ano, para entrar no Saturno, e pouco depois o Sparta sofreu perdas consideráveis. http://www.saturnov.com/depoimentos. Em minha opinião, Sparta e Hedging-Griffo Verde são os melhores fundos do Brasil, e foi um elogio muito agradável saber desta escolha. No início, estranhei esta decisão excessivamente arrojada, mas durante meu contato posterior com o Rodrigo, pude constatar que, com seu talento e sua visão aguda para negócios, mesmo que não houvesse o Saturno como alternativa de investimento, ele criaria suas próprias oportunidades e se tornaria multimilionário em poucos anos. A existência do Saturno talvez apenas acelere este processo. Todos os sócios do Saturno são notáveis, mas o Rodrigo é alguém que nasceu para ser um empreendedor de sucesso, e creio que qualquer pessoa que o conheça mais a fundo concordará com isso.

Sob alguns aspectos, entrar num bom negócio é como comprar uma ação com potencial de forte valorização. Quanto maior a demora para entrar, maior é o ganho que se deixa de ter. Além disso, algumas alternativas de negócios podem simplesmente deixar de existir, ou podem deixar de serem oferecidas. Grandes oportunidades que não são aproveitadas no momento certo, podem acabar e geralmente não voltam.  

Vídeo sobre Einstein: https://www.youtube.com/watch?v=UnSA27a00To 

 

Veja também: http://www.saturnov.com/analises